BETING, Joelmir
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Alzira Alves de Abreu |
Joelmir José Beting nasceu em Tambaú (SP), em 21 de dezembro de 1936.
Já aos sete anos, começou a trabalhar nas plantações de propriedade de sua família, e aos quinze, orientado pelo padre Donizetti Tavares de Lima, conseguiu o primeiro emprego, na rádio de Tambaú. Quatro anos mais tarde, transferiu-se para São Paulo onde fez o curso de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), onde foi aluno de Fernando de Azevedo e Florestan Fernandes, e teve colegas de turma como Ruth Cardoso e Francisco Weffort. Formou-se em 1962.
Em 1957, ainda como estudante de Sociologia, iniciou-se no jornalismo, atuando como repórter esportivo nos jornais O Esporte e o Diário Popular, ambos de São Paulo. E como tal, vivenciou dois episódios que se tornaram marcantes em sua vida.
O primeiro deles, em 1961, quando ficou maravilhado com um gol do santista Pelé contra o time carioca Fluminense, em jogo realizado no Maracanã (RJ), e decidiu homenageá-lo, em nome dos cronistas esportivos, com uma placa no estádio: “Neste estádio, Pelé marcou no dia 5 de março de 1961 o tento mais bonito da história do Maracanã”. Nascia ali a expressão “gol de placa”, que se tornou célebre no meio do jornalismo esportivo para se referir a gols espetaculares. Beting, no entanto, nega ter sido o autor da expressão, afirmando em seu depoimento ao Jornal Cidade: “Eu não sou o autor da expressão ‘gol de placa’ [...], eu sou o autor da placa do gol e o Pelé o autor do gol que ganhou a placa. Eu que tive a ideia, eu que fiz a placa e paguei com o dinheiro do meu bolso e a instalei”.
Já o segundo, esteve relacionado com sua paixão como torcedor palmeirense. Nesta ocasião, transmitindo pela Rádio Panamericana o clássico paulistano entre os times do Palmeiras e do Corinthians, deixou falar mais alto seu lado torcedor, o que levou a torcida corintiana a agredi-lo no final do jogo. Este fato fez com que deixasse a área esportiva.
Em 1957, ainda como estudante de Sociologia, Joelmir Beting passou a se dedicar como redator de estudos de viabilidade econômica, para projetos desenvolvidos por uma consultoria de São Paulo.
Em 1966, por conta de sua tese apresentada no curso de Sociologia, Adaptação da mão de obra nordestina na indústria automobilística de São Paulo, publicada pelo Diário Popular, Joelmir foi convidado pelo diretor comercial da Folha de S. Paulo para lançar a editoria de Automóveis do jornal, sendo então contratado. Já dois anos depois, mais uma vez foi chamado a criar uma nova editoria na Folha, a de economia, da qual foi nomeado editor.
Em 1970, ano em que participou de programas de rádio na Jovem Pan e de televisão na Record, lançou também no mesmo jornal uma coluna diária, na qual desmistificava a economia. Sua participação nos programas da Record o tornaria conhecido do grande público, levando à sua contratação, em 1974, pela Rede Bandeirantes, onde ancoraria o Jornal da Bandeirantes, ao lado de Ferreira Martins. O mesmo pode ser dito de sua participação primeiro no programa diário O Trabuco, no qual fazia comentários, e em seguida, a partir de 1978, no Jornal Gente, ambos transmitidos pela Rádio Bandeirantes.
Por outro lado, ao longo dos anos 1980, Joelmir conseguiria uma maior penetração desta coluna, principalmente porque o momento vivido pelo país era de inflação crescente, em que os sucessivos governos vinham se mostrando incapazes de controla-la. Também nos anos 1980 e 1990, foi comentarista nas rádios Excelsior e CBN, esta dedicada exclusivamente à notícia.
Em 1985, ainda como estudante de Sociologia, transferiu-se para a TV Globo onde permaneceu até 2003, participando dos telejornais da emissora. Neste período, vivenciou, em 1990, um dos mais importantes momentos de sua trajetória como jornalista, quando entrevistou – junto com os jornalistas Lilian Witte Fibe e Paulo Henrique Amorim – Zélia Cardoso de Mello e Ibrahim Eris, cabeças da equipe econômica do governo de Fernando Collor.
Já em 1991 foi para o jornal O Estado de S. Paulo (SP), transferindo sua coluna da Folha, que a publicou até 2004. Em março deste ano voltou para a TV Bandeirantes, onde participava diariamente do Primeiro Jornal. Foi também âncora do Canal Livre, apresentado aos domingos, e fazia comentários diários nos programas Jornal Gente e Três Tempos, na rádio Bandeirantes, atividades que exerceu até sua morte.
Publicou os livros: Na Prática a Teoria é Outra (1973); Os Juros Subversivos (1985); e, em coautoria com o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e com João Pedro Stédile, Igreja, Classe Trabalhadora e Democracia (1984).
Recebeu ao longo de sua carreira, vários prêmios, entre eles o Apimec –SP de Jornalismo Econômico (2003), e o Comunique-se Mídia Eletrônica, como o melhor analista de Economia da TV e Mídia Eletrônica (2004, 2006, 2009 e 2012).
Faleceu no dia 29 de novembro de 2012. Até o momento de sua morte, continuava atuante no jornalismo, exercendo a função de editor e comentarista econômico do Jornal da Band, apresentado pelo jornalista Ricardo Boechat, e veiculado, de segunda a sábado, pela Rede Bandeirantes. Participava ainda do programa esportivo Beting&Beting, junto com seu filho Mauro e o sobrinho Erich, levados ao ar pelo canal de assinatura BandSports; além da apresentação dos jornais Primeiro Jornal e Jornal da Noite, levados ao ar em conjunto pela Band e pela BandNews; e mantinha, desde 2000, seu próprio site na internet, dedicado à economia.
Foi casado com Lucila Beting, jornalista, com quem teve dois filhos, sendo um deles, Mauro Beting, também jornalista como os pais.