COSTA, Otávio
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Otávio Pereira da Costa nasceu em Maceió no dia 5 de julho de 1920, filho de Otávio Pereira da Costa e de Regina Araújo Jorge da Costa.
Sentou praça no Exército em abril de 1939 ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, da qual saiu aspirante da arma de infantaria em setembro de 1942. Promovido a segundo-tenente em abril de 1943 e a primeiro-tenente em julho de 1944, quando servia no 11º Regimento de Infantaria, sediado em São João del Rei (MG), foi convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que combateu os fascistas na Itália, de 1944 até o final da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945. Em setembro de 1947 foi promovido a capitão, em outubro de 1953 a major, em dezembro de 1961 a tenente-coronel. Por ocasião do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), servia na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Em agosto de 1966, passou a coronel.
Comandou o Centro de Estudos de Pessoal do Exército e a partir de 1971, durante o governo do general Emílio Médici (1969-1974), tornou-se chefe da Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP) da Presidência da República, criada no final do governo do general Artur da Costa e Silva (1967-1969) “devido à crise estudantil e às demonstrações públicas contra o governo” ocorridas no período. No exercício desse cargo, foi o responsável pela exibição através da televisão de filmes de propaganda governamental, considerados como instrumentos de “campanhas educacionais visando o fortalecimento do caráter nacional”.
Deixando a AERP, em julho de 1974, já no início do governo do general Ernesto Geisel, foi promovido a general-de-brigada e em seguida designado subchefe de gabinete do então ministro do Exército, general Sílvio Frota. Mais tarde, foi nomeado chefe do gabinete do Estado-Maior do Exército, cargo no qual permaneceu até janeiro de 1978, quando foi substituído pelo general José Magalhães da Silveira. Assumiu então o comando da 6ª Região Militar (6ª RM), sediada em Salvador, anteriormente ocupada pelo general-de-brigada Adir Fiúza de Castro, e, na cerimônia de posse, negou-se a emitir opinião à imprensa sobre a indicação do general João Batista Figueiredo à Presidência da República, afirmando que se tratava “apenas de acatar uma decisão política e apoiá-la integralmente”. Ainda em agosto de 1978, participou do painel Televisão e Educação, realizado na Escola Superior de Guerra. Nessa ocasião, criticou o colonialismo cultural da televisão e do cinema nacionais e afirmou que “quaisquer que sejam os riscos dos caminhos da liberdade, somente eles são capazes de fazer da televisão um instrumento a serviço da liberdade e da dignificação do homem”. Reconhecido por uma linha de atuação moderada nas questões relativas à segurança interna do país, em março de 1979 transmitiu o comando da 6ª RM ao general Gustavo de Morais Rego Reis.
Em abril seguinte foi promovido a general-de-divisão e assumiu a chefia da Secretaria Geral do Ministério do Exército. Permaneceu no cargo até abril de 1980, quando foi substituído pelo general Heraldo de Tavares Alves e removido para Campo Grande. Segundo a imprensa, sua saída da secretaria ocorreu em função de divergências com o então chefe de gabinete do ministro do Exército, general Sérgio de Ari Pires, quando este criou a Diretoria de Cultura, Educação Física e Desportos. Pouco tempo depois, foi nomeado diretor do Departamento de Extensão e Especialização do Exército. Em agosto de 1980, ao comparecer à homenagem prestada ao Exército pela Ordem dos Velhos Jornalistas, no Clube Militar, afirmou que a imprensa e as forças armadas incluem-se entre “os construtores da sociedade pluralista” no Brasil. Em fevereiro de 1981 discursou em homenagem à FEB representando as forças armadas durante a cerimônia realizada no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro, em comemoração do 36º aniversário da tomada de Monte Castelo, na Itália, pelos combatentes brasileiros.
Deixando o Departamento de Extensão e Especialização, assumiu a subchefia do Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército, cuja direção exerceu interinamente a partir de janeiro de 1982 em substituição ao general-de-exército Geraldo Alvarenga Navarro. Nesse mesmo ano foi transferido para a reserva.
Após se afastar do Exército, trabalhou durante oito anos no grupo Caemi, deixando essas atividades em 1990. A partir de então retirou-se para a vida privada, tendo como única atividade a presidência do conselho de administração da Associação das Pioneiras Sociais, entidade responsável pela gerência da Rede Sara de Hospitais.
Depoimento prestado pelo biografado ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas, em agosto e setembro de1992, veio a integrar os livros Visões do golpe – a memória militar sobre 1964 e A volta aos quartéis - a memória militar sobre a abertura - da trilogia organizada pelos pesquisadores Maria Celina D’Araújo, Gláucio Ary Dillon Soares e Celso Castro e lançada em 1994-1995, composta ainda pelo livro Os anos de chumbo – a memória militar sobre a repressão.
Ao longo de sua carreira militar, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, a Escola de Estado-Maior, e fez o curso de comando e estado-maior das forças armadas na Escola Superior de Guerra.
Casou-se com Maria Letícia Monteiro da Costa, com quem teve quatro filhos.
Publicou o livro Trinta anos depois da volta (1975), no qual relata suas experiências na FEB durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, colaborou regularmente com a publicação do Exército Letras em marcha.