GREGÓRIO, Augusto de
| Tipo | Biográfico |
|---|---|
| Cargos |
|
Augusto de Gregório nasceu em Paraíba do Sul (RJ) no dia 6 de julho de 1907, filho de Paschal de Gregório Spina e de Georgina Ferreira de Gregório.
Transferindo-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, bacharelou-se em 1931 pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Em seguida exerceu a promotoria pública em Caratinga (MG) e posteriomente no estado do Rio de Janeiro.
Em seguida exerceu a promotoria pública no interior dos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Com a desagregação do Estado Novo (1937-1945) e a reorganização partidária iniciada no primeiro semestre de 1945, filiou-se nesse ano ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). De setembro de 1951 a setembro de 1953 ocupou um assento no Conselho Superior de Tarifas. No pleito de outubro de 1954 elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do PTB. Empossado em fevereiro de 1955, tornou-se membro da Comissão de Finanças da Câmara, vindo a ocupar no ano seguinte a vice-presidência da Comissão de Economia e em 1957 a presidência da Comissão de Obras e Transporte. Reelegeu-se em outubro de 1958, dessa vez na legenda da Aliança Popular Nacionalista, constituída pelo PTB, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Republicano (PR). Logo após o início da legislatura, contudo, foi nomeado pelo governador Roberto Silveira (1959-1961) secretário da Fazenda do estado do Rio de Janeiro. Durante sua gestão a secretaria promoveu o financiamento do plano de eletrificação do estado e da primeira tentativa de reforma agrária realizada no território fluminense.
Com a morte do governador Roberto Silveira em fevereiro de 1961, reassumiu o mandato parlamentar. Após a renúncia do presidente Jânio Quadros (25/8/1961), votou contra a edição da Emenda Constitucional nº 4, que, em setembro desse ano, implantou o sistema parlamentar de governo como fórmula de viabilizar a posse do vice-presidente João Goulart, vetada por setores militares. Posteriormente, apoiaria a campanha pela antecipação do plebiscito que, inicialmente previsto para 1965, acabaria por realizar-se em janeiro de 1963, restabelecendo o presidencialismo. Já no governo do presidente João Goulart (1961-1964), apoiou a Emenda Constitucional nº 5, de novembro de 1961, que ampliou a participação dos municípios na renda tributária nacional.
De acordo com o Correio Brasiliense, edição de outubro de 1962, era partidário do intervencionismo econômico, considerando dever do Estado agir como elemento de equilíbrio da iniciativa privada. Defendia, ainda, o monopólio estatal do petróleo, da energia atômica, da eletricidade, dos transportes marítimos e ferroviários, bem como sua ampliação por interesse da segurança nacional e para evitar as concentrações capitalistas privadas com caráter de monopólio. Nesse sentido, apoiou o Código de Telecomunicações, que transformou as telecomunicações em monopólio estatal, e as propostas de criação de um ministério das comunicações - que só seria concretizada em 1967 - e de um banco central emissor. Foi também favorável à unificação das pastas militares e à criação de um ministério do planejamento. Segundo a mesma fonte, era adepto da execução de uma reforma agrária cooperativista, com desapropriação dos latifúndios mediante indenização em títulos da dívida pública. Entendia que a solução do problema agrário não estava em dar terras aos camponeses, mas em fixá-los às glebas através da assistência técnica, sanitária e creditícia, da garantia de preços mínimos, transportes e ensilagem para os produtos. No plano político, era favorável à reforma eleitoral, com a adoção universal da cédula única; à extensão do direito de voto aos analfabetos e praças de pré e ao fortalecimento dos partidos nacionais. Defendia ainda, segundo o Correio Brasiliense, a implementação de medidas destinadas a eliminar a ação do poder econômico nos pleitos eleitorais.
Identificado com a linha moderada do PTB, foi um dos poucos de seu partido a integrar a Ação Democrática Parlamentar (ADP), bloco interpartidário formado no primeiro semestre de 1961 com o objetivo de combater a penetração comunista na sociedade brasileira. Composta basicamente por parlamentares da União Democrática Nacional (UDN) e, secundariamente, do Partido Social Democrático (PSD) e de outros partidos, a ADP fez oposição ao governo do presidente Goulart. Embora ligado à ADP, Augusto de Gregório apoiou o restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética, rompidas desde 1947 e retomadas em novembro de 1961. Defendia o direito dos povos à autodeterminação e à não-ingerência em seus negócios internos.
Reeleito em outubro de 1962, em maio de 1963 foi escolhido para vice-líder do PTB na Câmara. Após o movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart, e com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Nessa legenda, concorreu a uma cadeira no Senado pelo Rio de Janeiro em novembro de 1966, sendo contudo derrotado por Paulo Torres, candidato da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido governista. Com a conclusão de seu mandato de deputado, em janeiro de 1967, não mais retornou à Câmara.
Após deixar o Legislativo federal, passou a trabalhar como advogado, atividade que exerceria até o fim de sua vida.
Com o fim do bipartidarismo (29/10/1979) e a consequente reforma partidária, Augusto de Gregório retornou à vida política, sendo um dos fundadores e dirigentes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no estado do Rio de Janeiro.
Ao longo de sua vida, Augusto de Gregório foi ainda vice-presidente da Associação de Siderurgia e diretor da usina Cambaíba de Campos, presidida pelo ex-deputado federal Heli Ribeiro Gomes (1959-1967). Pertenceu também à Comissão de Desenvolvimento Industrial e foi vice-presidente da Associação de Siderurgia.
Faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de dezembro de 1993.
Era casado com Cleuza Henriqueta Godinho e não teve filhos.