LANGONI, Carlos Geraldo

Carlos Geraldo Langoni nasceu em Nova Friburgo (RJ), no dia 23 de julho de 1944.

Formou-se em ciências econômicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1966. Ainda estudante universitário engajou-se no movimento estudantil. Em 1964, quando cursava o segundo ano da faculdade, participou de uma frente ampla de centro-esquerda que lutava pela conquista do diretório acadêmico, dominado então por estudantes alinhados com o regime militar instaurado no país em abril daquele ano. No ano seguinte fez o curso de programação e planejamento econômico do Ministério do Planejamento. Devido ao seu bom desempenho, ganhou uma bolsa da Fundação Ford para cursar pós-graduação nos Estados Unidos. Em 1969 recebeu o título de mestre e, no ano seguinte, o de doutor em ciências econômicas da Universidade de Chicago.

De volta ao Brasil em 1970, trabalhou no Instituto de Planejamento Econômico e Social, órgão ligado ao Ministério do Planejamento. Em 1971, iniciou a carreira de docente, ensinando a disciplina teoria e política monetária na Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. Foi também professor-pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (USP). Subdiretor técnico da EPGE de 1972 a 1973, ocupou a direção da instituição entre 1973 e 1979. Neste último ano, ocupou a diretoria da área bancária do Banco Central e, em janeiro de 1980, aceitou o convite do ministro da Fazenda, Ernâni Galveias, e tornou-se o presidente mais jovem do Banco Central, substituindo o próprio Galveias. Em seu discurso de posse, criticou os que defendiam a reforma do sistema financeiro nacional, por considerar que seriam suficientes algumas correções que assegurassem a linha de ação do governo de fortalecer os pequenos e médios bancos com vocações regionais.

Como presidente do Banco Central, tornou-se membro do Conselho Monetário Nacional e do Conselho Nacional de Comércio Exterior (Concex) e, ainda, representante do Brasil, na qualidade de governador suplente, no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata e no Fundo Africano de Desenvolvimento.

Em fevereiro de 1980 filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), de apoio ao governo, criado após a reforma partidária de 29 de novembro de 1979, que revogou o bipartidarismo. Em setembro, participou da 31ª Reunião de Governadores de Bancos Centrais Latino-americanos e de Espanha, em Buenos Aires. Na ocasião, defendeu o acesso dos países em desenvolvimento a fontes de recursos com prazos mais longos, ainda que arcando com o ônus de um custo mais elevado. Propôs também a ampliação da faixa de empréstimos relacionados a exportações e a projetos essenciais de substituição de energia importada, duas áreas que apresentariam um risco menor do que o financiamento de caráter geral e teriam um impacto favorável sobre a balança comercial.

Durante sua gestão à frente do Banco Central encaminhou o processo de negociação da dívida externa brasileira. Em outubro, participou da reunião anual do FMI, em Washington. Não se concretizou, porém, o esperado esquema para a reciclagem dos petrodólares como forma de financiar os países em desenvolvimento importadores de petróleo. Langoni descartou os empréstimos do FMI como solução para a rolagem da dívida externa brasileira, considerando-os escassos e de prazos reduzidos. Reiterou que o Brasil continuaria na dependência dos bancos privados no mercado do eurodólar para financiar o deficit em conta corrente no balanço de pagamentos. Em abril de 1981, ao participar das sessões plenárias do BID, em Madri, voltou a condenar a política de restrições ao livre movimento de capitais e de bens de serviços. Em agosto, em conferência proferida na Escola Superior de Guerra (ESG), diagnosticou a inflação brasileira como a expressão objetiva do deficit público. Salientou a necessidade de integrar e harmonizar os orçamentos monetário, fiscal e das estatais, reduzindo radicalmente subsídios creditícios.

Em setembro, participou do simpósio “Alternativas para a Crise Econômica Nacional”, promovido pela Comissão de Economia do Senado e pela Associação dos Economistas do Distrito Federal. Respondendo às críticas à política econômica do governo, rebateu a proposta de renegociação da dívida externa brasileira, por considerar que levaria à recessão devido aos possíveis cortes de crédito externo, essenciais ao funcionamento da economia nacional. Mostrou-se reticente aos projetos de desenvolvimento que significassem industrialização a qualquer custo, pois, segundo afirmava, a recuperação das atividades econômicas dependeria dos resultados do combate à inflação e da estabilidade das taxas de juro internacionais.

Em setembro de 1982, o México declarou moratória das obrigações de sua dívida externa e os bancos credores responderam com o corte das linhas interbancárias e de comércio dos países devedores, aumentando a vulnerabilidade dessas nações. Em dezembro, o Brasil suspendeu o pagamento dos juros da sua dívida e Langoni reuniu-se com o FMI e os bancos credores, para negociar um acordo e a liberação de quatro bilhões e quatrocentos mil dólares de recursos emergenciais. A maxidesvalorização da moeda nacional, ocorrida em fevereiro de 1983, foi a medida tomada para contornar a crise de estreitamento de liquidez que o país enfrentava desde junho de 1982, causada sobretudo pelas perdas sofridas pelas agências brasileiras no exterior no mercado interbancário e pela redução das linhas de crédito comercial. Langoni rejeitou a moratória, alegando que teria as seguintes consequências: súbita redução das transações comerciais com o exterior e bloqueio a uma série de importações essenciais ao funcionamento da economia. Em 29 de julho de 1983, o Conselho Monetário Nacional estabeleceu o controle total do Banco Central sobre as operações de câmbio como meio de restringir ao máximo a remessa de recursos ao exterior e restabelecer uma indispensável liquidez que permitisse maior margem de manobra nas negociações da dívida.

Um mês depois, Langoni recusou-se a assinar a terceira carta de intenções ao FMI por considerar inexeqüíveis o ritmo e a forma de cumprimento das metas traçadas pelos ministros da Fazenda, Ernâni Galveias, e do Planejamento, Delfim Neto, especialmente no que se referia à redução da inflação e ao fim do deficit público. Na base do desentendimento com a equipe econômica estava a avaliação de que a crise da dívida era uma questão estrutural e não um problema passageiro de liquidez. Em virtude dessas discordâncias, demitiu-se da presidência do Banco Central, em setembro de 1983, sendo substituído por Afonso Celso Pastore. Na reunião de despedida com diretores, defendeu a independência da instituição, nos moldes do Federal Reserve norte-americano. No mesmo ano, retornou à EPGE, onde deu aulas como professor titular até 1989.

Em março de 1985, o subprocurador-geral da República, José Armando da Fonseca, pediu seu indiciamento por prevaricação no inquérito que apurava a emissão de letras de câmbio fraudulentas pela Corretora Coroa S.A. Em agosto de 1987, Langoni depôs como testemunha de acusação no caso da emissão de cheques sem fundos pela mesma corretora e acabou sendo inocentado pelo Supremo Tribunal Federal.

Criticou as negociações da equipe econômica do governo do presidente da República José Sarney com o FMI por não viabilizarem a reestruturação da dívida. Para Langoni, faltava uma clara demonstração de capacidade de controlar o deficit público e reduzir a inflação. Sua crítica evidenciava a ambigüidade do governo, que tentava se distanciar de seu antecessor e, ao mesmo tempo, não tinha vontade política necessária para implementar um amplo processo de reformulação. Diante da pressão das autoridades brasileiras, o FMI ausentou-se das negociações que se seguiram. Mas a conclusão da segunda fase do acordo estabelecido em 1984 seria prolongada até setembro de 1986. O acordo tinha avanços em relação aos anteriores, embora prevalecesse a estratégia dos banqueiros: uma renegociação convencional, mantendo a imposição de apresentar grandes superávits na balança comercial.

Langoni voltou a manifestar-se em setembro de 1988. Desta vez, criticou as propostas em discussão na Assembleia Nacional Constituinte favoráveis a um teto de 12% ao ano para os juros, ao estabelecimento do conceito de empresa brasileira de capital nacional e à introdução da dicotomia entre capital e tecnologia. Em sua opinião, esses dispositivos restringiriam o aporte de investimentos externos e representariam sérios obstáculos à reestruturação econômica guiada pelo aumento da eficiência e da competitividade. Defendeu a consolidação de maior liberdade de ação aos agentes econômicos como o caminho para a retomada do desenvolvimento.

Assumiu, no ano seguinte, a presidência da Projeta Consultoria Financeira S/C Ltda., empresa associada ao NM Rothschild de Londres. Ainda em 1989, tornou-se diretor do Centro de Economia Mundial da FGV.

Em janeiro de 1995, referindo-se à condução do Plano Real - lançado em fevereiro de 1994 pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso -, criticou os limites de uma política econômica ancorada no câmbio. Defendeu maior flexibilidade da política cambial e a ancoragem da moeda brasileira (o real) a diretrizes fiscais e de política salarial, além de reformas estruturais no Estado, de um programa ousado de privatização e da desindexação dos salários. Em março, apoiou as medidas de controle de remessa de capitais e a alta dos juros adotadas pelo governo brasileiro, considerando que o Brasil ficaria menos vulnerável às turbulências do mercado financeiro internacional. Mas criticou a estratégia de desenvolvimento baseada na captação de capitais voláteis de curto prazo e salientou a necessidade de atrair investimento estrangeiro direto interessado em rentabilidade de longo prazo e não na arbitragem especulativa.

Passado um ano, em novembro de 1996, sugeriu um aumento da ordem de 15% nas exportações, necessário, segundo afirmou, para sustentar o crescimento econômico. Reconheceu também que havia uma distorção no câmbio brasileiro, mas avaliou que uma correção sem um ajuste fiscal traria prejuízos. Sua opinião quanto ao câmbio mudaria no ano seguinte, embora reafirmasse sua preocupação com o deficit nas transações correntes. O atrelamento da variação da moeda brasileira a um conjunto de moedas de vários países poderia produzir uma sobrevalorização e, assim, aumentar a competitividade dos produtos brasileiros exportados.

Em 2002, pouco antes da eleição presidencial, elogiou o Plano Real e defendeu a política fiscal de superávits primários, política de câmbios flutuantes e metas de inflação. Além disso, vaticinou como caminho para o Brasil um crescimento baseado em exportação.

Em 2009, presidia a Projeta Consultoria Econômica Ltda, atuando como consultor em junto às quarenta maiores empresas do Brasil.

Foi diretor do Centro de Economia Mundial e professor na Escola de Graduação em Economia, ambos da Fundação Getúlio Vargas. Atuou também como consultor sênior do Companhia Vale do Rio Doce e foi membro da diretoria da Souza Cruz.

Casou-se com Vera Langoni, com quem teve um casal de filhos.

Membro da equipe de economistas da revista Times para assuntos de América Latina, publicou, entre outras obras, As causas do crescimento econômico do Brasil (1974), A economia da transformação (1978), A política econômica do desenvolvimento (1978), Distribuição de renda X desenvolvimento econômico do Brasil (1978), A crise do desenvolvimento: uma estratégia para o futuro (1985), Trade reform: lessons from eight countries (1991), A economia em transformação (1994) e Brasil: a retomada do desenvolvimento econômico (1995).