LOBO, João

João Calisto Lobo nasceu em Floriano (PI) no dia 27 de abril de 1927, filho de Calisto Lobo e de Carmem Lobo.

Graduou-se em 1950 pela Escola Nacional de Engenharia, da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, especializando-se em construção civil e estradas.

De volta ao Piauí, dedicou-se ao comércio, à atividade industrial e à agropecuária, filiando-se à União Democrática Nacional (UDN), por cuja legenda se elegeu deputado estadual nas eleições de outubro de 1962. Na Assembleia Legislativa, tornou-se líder do partido.

Com a instauração do bipartidarismo imposta pelo Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, optou pela legenda governista, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), e assumiu a sua liderança na Assembleia. Reelegeu-se sucessivamente nos pleitos de novembro de 1966 a 1978.

Com o fim do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a consequente reorganização partidária, ingressou no Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena. Em novembro de 1982, conquistou uma cadeira no Senado -- obteve 159.526 votos -- onde exerceu a vice-presidência da Comissão de Redação e participou das comissões de Minas e Energia e de Serviço Público Civil.

A derrota da emenda Dante de Oliveira, em abril de 1984, impediu o restabelecimento de eleições diretas para a presidência da República e acirrou a disputa interna entre os postulantes à candidatura oficial, culminando com a na cisão do PDS -- a Frente Liberal -- que no ano seguinte se transformaria no Partido da Frente Liberal (PFL), ao qual João Lobo se filiou, tornando-se vice-líder da legenda e segundo secretário do Senado.

Ainda em 1985, a convite do governo da Síria, chefiou a delegação brasileira à Conferência Parlamentar das Américas, que se realizou em Damasco, reunindo parlamentares de origem árabe no continente americano. Também esteve presente à assembleia extraordinária do Parlamento Latino-Americano, em Punta del Este, no Uruguai. Em 1986 foi observador parlamentar junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Na nova legislatura, iniciada em 1º de fevereiro de 1987, foi eleito terceiro suplente da mesa diretora do Senado e tornou-se relator da Comissão de Orçamento da União. Nos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, tomou parte da Subcomissão dos Estados, da Comissão da Organização do Estado, e como suplente, da Subcomissão de Orçamento e Fiscalização Financeira, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças.

Votou contra a demissão sem justa causa e a favor do presidencialismo, do mandato de cinco anos para o então presidente José Sarney (1985-1990) e da legalização do jogo do bicho. Também foi contrário à proibição do comércio de sangue, à criação de um fundo de apoio à reforma agrária, à desapropriação da propriedade produtiva, à remuneração 50% superior para o trabalho extra, ao turno ininterrupto de seis horas, ao aviso prévio proporcional. Absteve-se nas sessões em que se decidiu sobre a estatização do sistema financeiro e sobre a anistia aos micro e pequenos empresários. Com a promulgação da nova Carta em 5 de outubro de 1988, passou a exercer somente o seu mandato ordinário.

No pleito de outubro de 1990, concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados, desta vez pela coligação do PFL com o PDS, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Cristão (PSC), mas não conseguiu se eleger. Deixou o Senado ao término da legislatura, em janeiro do ano seguinte, e passou a se dedicar a atividades particulares.

Foi secretário da Comissão Estadual de Defesa Civil em 2002. Em 2007 o Ministério Público Federal no Piauí ingressou com uma ação de improbidade administrativa contra João Calisto, e mais oito empresas contratadas no ano de 2002 para a perfuração de poços tubulares, porque somente parte das obras foi realizada. A obra tinha o objetivo de minimizar os efeitos da seca na região.

Foi casado com Jeanete Bucar Lobo, com quem teve quatro filhas.

Publicou O Piauí tem jeito sim (1984), Linha de frente (1986) e Uma chance ao Nordeste.