PEREIRA, Temperani
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Armando Temperani Pereira nasceu em Santa Maria (RS) no dia 22 de agosto de 1910, filho de Eugênio Pereira e de Ida Temperani Pereira.
Analfabeto até os 14 anos de idade, em 1924 iniciou os estudos primários ingressando no Ginásio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. Concluiu o curso ginasial em 1930. Depois de trabalhar no comércio e como motorneiro de bonde em sua cidade natal, diplomou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de Porto Alegre.
Em 1938 conquistou a cátedra de economia política na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Rio Grande do Sul, na qual foi também orientador do Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas e do corpo de auxiliares de ensino. Advogado criminalista, especializou-se ainda em direito trabalhista, sendo nomeado em 1941 juiz do Conselho Regional do Trabalho e designado para a 4ª Região, com jurisdição nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde permaneceu em exercício até 1944.
Foi amigo de Getúlio Vargas, com quem esteve intimamente ligado no Rio Grande do Sul durante o período que se seguiu à sua deposição da chefia do Estado Novo (29/10/1945).
Em 1950 ingressou na política elegendo-se vereador e, em seguida, presidente da mesa da Câmara Municipal de Porto Alegre. No pleito de outubro de 1954 foi eleito deputado à Assembleia Legislativa gaúcha na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). No exercício do mandato, iniciado em fevereiro de 1955, presidiu a Comissão de Justiça da Assembleia. Obtendo a primeira suplência de deputado federal pelo Rio Grande do Sul na legenda do PTB em outubro de 1958, em janeiro de 1959 concluiu o mandato de deputado estadual e pouco depois, em março, ocupou uma cadeira na Câmara. Em seu primeiro ano de mandato defendeu o movimento revolucionário cubano liderado por Fidel Castro, que depôs o ditador Fulgêncio Batista. Em junho de 1961 tornou-se vice líder de seu partido e da maioria na Câmara dos Deputados. Em novembro de 1961, votou a favor do reatamento das relações comerciais e diplomáticas do Brasil com a União Soviética, e em 1962 apoiou a posição assumida pelo Brasil na Conferência de Punta del Este, no Uruguai, contrária à exclusão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Foi membro da Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), formada em 1956 por deputados do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Social Democrático (PSD), do PTB e da União Democrática Nacional (UDN). Atuante na Câmara, a FPN dispunha-se a viabilizar uma plataforma nacionalista, em oposição à intervenção do capital estrangeiro na economia nacional, especialmente no setor energético. Defendeu a disciplina da remessa de lucros para o exterior, aprovada afinal pelo Congresso em setembro de 1962 e regulamentada em janeiro de 1964. Segundo o Correio Brasiliense em edição de agosto de 1964, era partidário do intervencionismo estatal, da planificação da economia, da nacionalização dos depósitos bancários, assim como de um rápido crescimento industrial, de um maior incentivo às exportações e da reforma agrária.
Reeleito em outubro de 1962, permaneceu na Câmara dos Deputados até 10 de abril de 1964, logo em seguida à vitória do movimento político-militar de 31 de março que depôs o presidente João Goulart - quando teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos por força do Ato Institucional nº 1 (9/4/1964).
Deixando a vida política, dedicou-se a negócios com terrenos e automóveis em Porto Alegre. Em 28 de agosto de 1979 teve seus direitos políticos restabelecidos pela Lei da Anistia, decretada pelo presidente João Figueiredo e, em julho de 1980, foi autorizado a retornar à administração direta do Ministério da Educação e Cultura.
Faleceu em Porto Alegre no dia 4 de junho de 1991.
Foi casado com Alda de Sousa Pereira, com quem teve dois filhos.
Publicou Introdução à economia política (1946) e Lições de teoria econômica (1952).