RUSSOMANO, Celso
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Luís Otávio de Sousa, Jean Spritzer |
Celso Ubirajara Russomano nasceu em São Paulo no dia 20 de agosto de 1956, filho de Ubirajara Celso Russomano e de Teuda Maués Russomano.
Iniciou suas atividades profissionais no serviço público no ano de 1977, trabalhando por dois anos como encarregado no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo e, entre 1979 e 1980, como chefe de plantão no Juizado de Menores da capital paulista. Posteriormente, ocupou o cargo de assistente de direção na divisão de transporte do gabinete do governador de São Paulo, Paulo Salim Maluf (1979-1983), permanecendo ali até a posse de André Franco Montoro, em março de 1983. Em 1982, tornou-se assessor de comunicação da Slideaway Auto Acessórios, Indústria e Comércio Ltda., função exercida durante um ano. Paralelamente a essas atividades, cursou a Faculdade de Direito de Guarulhos (SP), bacharelando-se em 1983.
Entre 1983 e 1986, ocupou o cargo de assistente de gabinete do escritório de representação da vice-presidência da República na cidade de São Paulo. Na iniciativa privada, em 1984, veio a ser sócio-diretor da Night and Day Promoções Ltda. tornando-se apresentador e diretor do programa de entrevistas Circuito Night and Day, na TV Gazeta da Rede Central Nacional de Televisão (CNT).
Em 1985 deu início a sua militância partidária, filiando-se ao Partido da Frente Liberal (PFL) e logo tornando-se membro de seu diretório estadual em São Paulo. No ano seguinte, foi escolhido presidente da ala jovem do partido na capital paulista. Ainda em 1986, tornou-se assessor do ministro das Minas e Energia, Aureliano Chaves, permanecendo no exercício dessas funções até 1988.
Em 1991, ingressou no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), empresa de propriedade do apresentador de programas de auditório, Sílvio Santos. No SBT, trabalhou como repórter no telejornal Aqui agora, programa de orientação sensacionalista e de grande audiência. Entre 1993 e 1994, como advogado, foi conciliador no Juizado de Pequenas Causas do Fórum Central da capital paulista.
Como resultado de sua grande popularidade, foi o deputado federal mais votado do país nas eleições gerais de outubro de 1994, tendo atingido 233.482 votos, oriundos, em sua maioria, de sua base eleitoral na capital. Para concorrer nesse pleito, trocou de legenda, transferindo-se do PFL para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
Assumindo seu primeiro mandato em fevereiro de 1995, participou, como primeiro vice-presidente, da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias. Durante o processo de votação da reforma constitucional, acompanhou sempre a orientação da base parlamentar governista, manifestando-se favoravelmente à abolição do monopólio estatal nas telecomunicações, na distribuição do gás canalizado e na exploração do petróleo. Também foi favorável à abertura da navegação de cabotagem à concorrência externa, ao fim de todas as diferenças legais entre empresas nacionais e estrangeiras e à prorrogação do Fundo Social de Emergência (FSE), rebatizado de Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), que permitia que o governo gastasse 20% da arrecadação de impostos, sem que estas verbas ficassem obrigatoriamente vinculadas aos setores de saúde e educação.
Esta fidelidade aos interesses do governo federal não correspondeu, porém, a uma maior afinidade com as principais lideranças de seu partido. No PSDB, foi sempre visto com certa reserva pelos “caciques” do partido, devido ao suposto apoio que teria dado ao ex-presidente Jânio Quadros contra Fernando Henrique Cardoso nas eleições para a prefeitura paulistana em 1985. Esta desconfiança manifestou-se, por exemplo, no bombardeio interno a que foi submetido na época da escolha do candidato do partido às eleições para a prefeitura de São Paulo, marcadas para outubro de 1996. Russomano havia decidido manter sua pré-candidatura em oposição à do ministro das Comunicações Sérgio Mota, uma das figuras mais influentes da agremiação. Mais tarde, no entanto, o partido acabaria por optar pela candidatura do também ministro José Serra.
No exercício do mandato de deputado federal, orientou sua atuação para a fiscalização do cumprimento do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Esta postura, no entanto, não impediu que, em reportagem publicada pelo Jornal do Brasil, em abril de 1996, seu nome fosse incluído num suposto lobby a favor dos importadores de pneus usados. Em carta ao jornal, o deputado procurou afirmar a coerência de sua conduta, refutando as acusações e afirmando que havia votado a favor da importação na Comissão de Defesa do Consumidor, em função dos menores preços e da maior durabilidade do pneu importado em relação ao produzido pelas indústrias nacionais. Em virtude das críticas do comentarista Arnaldo Jabor, da Rede Globo de Televisão, ao fisiologismo de um grupo de congressistas, Russomano apresentou requerimento à mesa da Câmara para a votação em regime de urgência da nova Lei de Imprensa, prevendo penas mais duras para jornalistas e empresas.
Em junho de 1996, votou a favor da criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), de 0,25% sobre transações bancárias, criado como fonte complementar de recursos para a saúde.
Vice-líder do PSDB na Câmara, no início de 1997 votou a favor da emenda da reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. No mesmo ano saiu do PSDB, ingressando no PPB. Em novembro pronunciou-se favoravelmente à quebra da estabilidade do servidor público, item da reforma administrativa.
Em outubro de 1998, candidatou-se à reeleição, na legenda do PPB, sendo o candidato mais votado do partido, com mais de 185 mil votos. Em novembro desse ano votou a favor do teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público e do estabelecimento de idade mínima e tempo de contribuição para o setor privado, ítens que definiram a reforma da previdência. Iniciou seu novo mandato em fevereiro de 1999.
Em maio seguinte, votou a favor da promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelecia novos mecanismos de controle prévio para a execução dos orçamentos em todas as esferas da federação.
Nas eleições municipais realizadas em outubro de 2000, lançou-se candidato à prefeitura de Santo André, em disputa com o então prefeito e candidato à reeleição, Celso Daniel, do Partido dos Trabalhadores (PT). Porém, foi derrotado ainda no primeiro turno, quando o petista foi reeleito com 70% dos votos válidos.
No pleito de 2002, reelegeu-se ao cargo de deputado federal, novamente na legenda do PPB. Empossado em fevereiro de 2003, participou da mudança estatutária que alterou o nome do PPB somente para Partido Progressista (PP). Pela nova legenda, foi vice-líder do partido na Câmara dos Deputados, durante esta legislatura, na qual também atuou como titular da Comissão Permanente de Defesa do Consumidor; e da Comissão Externa de Controle do Tráfego Aéreo.
No pleito de 2006, reelegeu-se para o quarto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, e tomou posse do cargo em fevereiro de 2007. Foi novamente titular da Comissão Permanente de Defesa do Consumidor e integrou também a Comissão Especial de Combate à Pirataria e da Comissão Especial que instituiu diretrizes para a Política Nacional de Planejamento Regional Urbano e a criação de um Sistema Nacional de Planejamento e Informações Regionais Urbanas. No ano seguinte, disputou as internas do PP para o posto de candidato do partido à prefeitura de São Paulo, mas acabou derrotado por Paulo Maluf, ex-prefeito, ex-governador do Estado, e presidente do diretório estadual da agremiação. Também no ano de 2008, em junho, votou contrariamente à criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), apontada pela oposição ao governo federal como uma tentativa de recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Em 2010, foi lançado candidato ao Governo do Estado de São Paulo pelo PP. Na ocasião, teve como principais adversários no tento o tucano Geraldo Alckmin, o petista Aloizio Mercadante, além de Paulo Skaf, que saiu candidato pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Na ocasião do pleito, realizado em outubro de 2010, entretanto, Geraldo Alckmin foi eleito ainda no primeiro turno, com 11 milhões de votos, correspondentes a 50,6 % do total válido, enquanto Russomano obteve 1,2 milhão de votos e ficou somente com a terceira colocação, atrás ainda de Mercadante.
Desfiliou-se do PP em Setembro do ano seguinte, quando se desentendeu com o presidente da sigla, Paulo Maluf, que teria negado candidatura própria do partido no pleito seguinte pela prefeitura de São Paulo. Passou então a integrar o Partido Republicano Brasileiro (PRB), pelo qual obteve a indicação para concorrer nas eleições seguintes. Chegou a despontar na preferência dos eleitores, de acordo com as primeiras pesquisas de intenção de voto, a frente dos candidatos José Serra, do PSDB, Fernando Haddad, do PT, Gabriel Chalita, do PMDB, além de Soninha Francine, Carlos Giannazi e Paulinho da Força, respectivamente, candidatos pelo PPS, PSOL e PDT. Acabou, entretanto, por perder a dianteira a algumas semanas do pleito, no qual, ficou de fora do segundo turno ao ser somente o terceiro mais votado, com 21,6% dos votos válidos. Na disputa entre o petista Fernando Haddad e o tucano José Serra, optou pela neutralidade, apesar do apoio de seu partido ao primeiro, que foi eleito em segundo turno, com 55,5% dos votos.
Nas eleições de 2014, candidatou-se novamente, desta vez por um retorno à Câmara dos Deputados. Na ocasião, obteve 1,5 milhão de votos, tendo sido eleito como o mais votado do país.
Além da carreira política, ganhou notoriedade pública como repórter de diversos programas televisivos.
Foi casado com Adriana Torres, de quem ficou viúvo. Teve uma filha.
Publicou Guia Russomano do consumidor (1994).