TAMURA, Yukishigue

Yukishigue Tamura nasceu na cidade de São Paulo no dia 2 de janeiro de 1915, filho de Yoshinori Tamura e de Kino Tamura.

Realizou os estudos primários na Escola Nipo-Brasileira Taisho e no Grupo Escolar do Carmo, e os secundários no Ginásio Nossa Senhora do Carmo, dos irmãos maristas.

Ainda estudante, trabalhou como operário e foi professor primário no Colégio São Francisco Xavier, atividade que exerceu por oito anos. Ingressando na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, estagiou na 5ª Vara Criminal de São Paulo. Bacharelando-se em ciências jurídicas e sociais em 1939, exerceu a advocacia nos foros da capital e do interior e idealizou e organizou um movimento de politização dos brasileiros descendentes de japoneses, os nisseis, visando melhor integrá-los na vida política nacional.

Após o fim do Estado Novo (1937-1945), elegeu-se em janeiro de 1947 segundo suplente de deputado à Assembleia Constituinte de São Paulo, na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC), não chegando a assumir o mandato. Em novembro desse mesmo ano elegeu-se na mesma legenda vereador à Câmara Municipal de São Paulo. Empossado em 1948, participou das comissões de Estatística, de Cadastro, de Fomento Econômico, de Ruralismo e de Economia e Abastecimento da Câmara paulistana e defendeu a restituição dos bens e direitos confiscados a estrangeiros e nacionais, domiciliados ou não no Brasil, por ocasião da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Em outubro de 1950, elegeu-se deputado à Assembleia Legislativa de São Paulo, ainda na legenda do PDC. Assumindo o mandato em fevereiro de 1951, após ter deixado a Câmara Municipal de São Paulo, tornou-se segundovice-presidente da Mesa da Assembleia, tendo presidido a Comissão de Indústria e Comércio e participado da Comissão de Agricultura. Líder do PDC na Assembleia, rompeu com o seu partido em 1953 ingressando no Partido Social Progressista (PSP), agremiação a que estava filiado o governador paulista Lucas Garcez (1951-1955), seu amigo e correligionário. A exemplo do governador Lucas Garcez, ao qual permaneceu solidário, rompeu com o PSP em outubro de 1953, para ingressar no ano seguinte no Partido Social Democrático (PSD). A fim de homenagear os fundadores da cidade de São Paulo durante as comemorações de seu quarto centenário, criou um projeto de lei, aprovado na Assembleia em 1954, que determinava a reconstrução do monumento histórico do Colégio São Paulo e da igreja anexa, bem como da Casa de Anchieta, destinada ao Museu Colonial. Durante o exercício de seu mandato, visitava semanalmente o interior do estado, a fim de estudar os problemas e as potencialidades econômicas de São Paulo, tendo sido um grande incentivador da cultura do algodão e da batata.

No pleito de outubro de 1954 elegeu-se deputado federal por São Paulo apoiado por uma coligação do PSD com o Partido Republicano (PR), tornando-se o primeiro deputado nissei na Câmara Federal. Empossado em fevereiro de 1955, defendeu um programa em que se destacava a defesa da implantação do regime parlamentarista, da autonomia do Distrito Federal, do princípio de maioria absoluta para as eleições do presidente da República, da mudança imediata da capital do país para Goiânia (GO), das reformas agrária e eleitoral, com a adoção da cédula oficial para as eleições majoritárias e proporcionais, e de uma maior participação dos municípios na arrecadação tributária nacional. Ao longo da legislatura foi membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e em 1957 diplomou-se pela Escola Superior de Guerra (ESG).

Reeleito em outubro de 1958, com o apoio da coligação entre o PSD, o PSP e o Partido Social Trabalhista (PST), nessa legislatura participou da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, que elaborou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Novamente reeleito em outubro de 1962, dessa vez na legenda da coligação do PSD com o PSP, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, em cuja legenda se reelegeu mais uma vez no pleito de novembro de 1966. Em dezembro de 1968 votou contra o pedido de licença à Câmara para que fosse processado o deputado Márcio Moreira Alves, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, tendo seu mandato cassado pelo Ato Institucional nº 5 (13/12/1968) em janeiro de 1969. Durante sua vida parlamentar lutou sempre pelo fortalecimento do intercâmbio cultural, técnico, comercial e financeiro entre o Brasil e o Japão.

Ingressando posteriormente no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), foi candidato à Câmara Municipal de São Paulo nas eleições de novembro de 1976. Eleito, assumiu o mandato em janeiro do ano seguinte. Com o fim do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), legenda sucessora da Arena. Deixou a Câmara dos Vereadores em janeiro de 1983, ao final da legislatura. Abandonando a vida pública, ingressou, juntamente com sua esposa, na Ordem Terceira Franciscana Secular.

Foi o idealizador das Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), obra construída em Ipatinga (MG) mediante a colaboração técnica e financeira do Japão, e do Plano Tamura, que consistia em obter dos Estados Unidos o perdão da dívida de guerra do Japão, estimada em US$ 490 milhões, sob condição de que ela fosse aplicada no Brasil e demais países da América Latina sob a forma de investimentos, de financiamentos ou de obras educacionais.

Jornalista, pertenceu à Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), ao Instituto Cultural Brasil-Japão, à Sociedade Geográfica Brasileira e à Ação Democrática Popular.

Casou-se em primeiras núpcias com Ikuyo Tamura, com quem teve um filho e em segundas núpcias com Hanna Tamura.