I CONGRESSO BRASILEIRO DA INDÚSTRIA
| Tipo | Temático |
|---|---|
| Autor(es) | Mônica Kornis |
Conclave realizado entre 8 e 18 de dezembro de 1944, em São Paulo, durante uma exposição industrial. As diversas comissões em que se dividiu discutiram 150 teses sobre os problemas a serem enfrentados pelo Brasil no pós-guerra e sobre a política mais adequada para o fortalecimento do parque industrial nacional. Essas mesmas questões já haviam sido debatidas no I Congresso Brasileiro de Economia, realizado no Rio de Janeiro em 1943.
No dia da instalação da reunião, Roberto Simonsen proferiu um discurso ressaltando a necessidade de se acelerar o ritmo de desenvolvimento industrial do país e, ao mesmo tempo, de se elevar o poder aquisitivo da população, visando ao estabelecimento de um mercado interno forte. Essa posição de Simonsen diferia da de outros empresários, como Horácio Lafer, para quem o objetivo central era maximização do lucro, ficando em segundo plano as questões da elevação do padrão de vida ou da modificação da estrutura do consumo. Roberto Simonsen acentuou ainda a importância da intervenção do Estado como garantia de um rápido ritmo de crescimento econômico, e declarou considerar a planificação da economia inteiramente compatível com a democracia política.
Visando portanto ao desenvolvimento econômico com a intervenção “supletiva, planificadora e auxiliadora” do Estado, o congresso debateu problemas tais como incremento das atividades industriais, comerciais e agrícolas, transportes, energia e combustível, preparo de técnicos especializados, organização do crédito, legislação fiscal e legislação social.
Assim como no I Congresso Brasileiro de Economia, uma série de recomendações foi apresentada ao governo pelas diferentes comissões. Basicamente, foi recomendado o estímulo dos poderes públicos ao desenvolvimento industrial em todo o país, sobretudo nas áreas que apresentassem condições favoráveis, com disponibilidade de mão-de-obra, de matérias-primas e de fontes de energia, com mercado apropriado e com fáceis vias de comunicação.
Nessa perspectiva, foram sugeridas a adoção de uma orientação descentralizadora da indústria; a ampla assistência técnica e financeira a todas as iniciativas industriais, especialmente as indústrias de base; a outorga de garantias suficientes para a formação de capitais nacionais, e a exploração intensiva de novas matérias-primas, das quedas-d’água e dos combustíveis disponíveis, como o carvão.
Recomendou-se que fosse assegurada a sobrevivência das indústrias criadas no período de guerra e que fosse estimulada a criação de bens de produção para a melhoria das condições de produção dos bens de consumo.
As comissões propuseram ainda a intensificação da metalurgia de primeira fusão e das atividades dela dependentes, o desenvolvimento da grande indústria química, e o incremento da fabricação de cimento e da produção de celulose.
Na área da legislação social, foi sugerida a ampliação da previdência social, apontada como o recurso mais adequado à planificação econômica.