O MUNDO

Jornal carioca, diário e matutino, fundado em setembro de 1947 por Geraldo Rocha, com o objetivo de combater a política do governo de Eurico Gaspar Dutra. Foi extinto em outubro de 1957.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o Brasil encontrava-se numa situação relativamente boa no tocante à disponibilidade de fundos, obtidos no exterior e não utilizados durante o período de guerra. Contudo, a política econômico-financeira levada a efeito pelo governo Dutra esgotou em pouco tempo as reservas acumuladas, abrindo assim o caminho para uma penetração mais intensa do capital estrangeiro. Foi dentro do debate gerado por essa situação que se definiu a linha de O Mundo, de caráter nacionalista, empenhada na defesa da economia nacional e na crítica à exploração promovida pelas firmas estrangeiras no Brasil.

Essa nova atitude de Geraldo Rocha, que, enquanto proprietário de jornais anteriores - como A Noite e A Nota - havia-se caracterizado pela defesa do capital estrangeiro no país, deveu-se na verdade às suas ligações e mesmo à sua aliança recente com Juan Domingo Perón, ditador argentino.

O objetivo de Geraldo Rocha era criar uma rede de comunicações que divulgasse por toda a América Latina a necessidade da união de todas as forças progressistas do continente sob a liderança de Perón, de maneira a combater o capital estrangeiro e o subdesenvolvimento. Essa ideia foi posta em prática com a criação da Agência Latina de Notícias, com sede no Rio de Janeiro, cuja função era transmitir as notícias sob o ângulo dos interesses peronistas.

Ainda dentro dessa perspectiva, O Mundo tentou obter a confiança de Getúlio Vargas, apoiando-o por ocasião do lançamento de sua candidatura, em 1950, e procurando articular uma aliança entre Vargas e Perón visando à implantação de uma república sindicalista no Brasil.

Com a queda de Perón em 1955, Geraldo Rocha e sua agência de notícias perderam o respaldo financeiro e ideológico, o que resultou no declínio rápido de seu jornal, fechado dois anos depois.