PARTIDO SOCIALISTA DE PERNAMBUCO

Partido político pernambucano fundado em 1933, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Seu principal organizador foi o general Paulo de Oliveira. Entre seus dirigentes figuravam ainda Nestor Diógenes e Barros Lima.

A formação do partido foi muito criticada pelo jornal Diário da Manhã, de propriedade do interventor Carlos de Lima Cavalcanti. Além de acusar o novo partido de agredir e difamar o governo do estado, o jornal considerava Nestor Diógenes impedido de participar de sua organização, por ser membro do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco.

A oposição de Lima Cavalcanti explicava-se também pelo episódio da fundação de seu Partido Social Democrático (PSD) de Pernambuco. Nessa ocasião, o coronel Muniz de Farias, um dos representantes do estado no Congresso Revolucionário de 1932 - durante o qual fora fundado o PSB -, acusara o interventor de estar fugindo a seus compromissos com o congresso, já que a ele caberia articular as forças revolucionárias do estado para formar o Partido Socialista de Pernambuco.

Lima Cavalcanti se defendera afirmando que as teses do PSD estavam totalmente coerentes com as recomendações do congresso e com os princípios do PSB.

O programa do Partido Socialista de Pernambuco defendia a sindicalização das classes profissionais; o estabelecimento de uma legislação contratual para patrões e empregados; a regulamentação das horas de trabalho e das férias; o estabelecimento de um salário mínimo e de um salário máximo de acordo com a capacidade e a qualidade do trabalho do operário, e ainda segundo a variação do custo de vida de estado para estado; e a criação do ministério do Trabalho, com delegações nas diferentes regiões ou estados, e com amplitude de ação em todos os assuntos referentes ao operariado. O partido propunha também a criação de um ministério do Comércio e da Navegação e a instalação de cooperativas de crédito agrícola através das quais os produtos seriam negociados sem intermediários.

Finalmente, o programa do Partido Socialista defendia o voto secreto obrigatório, a liberdade de crenças religiosas, a criação de escolas profissionais de agricultura, veterinária e enfermagem, e a oficialização das escolas particulares.

Algum tempo depois de sua fundação, Barros Lima desligou-se do partido por achar que os objetivos da Revolução de 1930 e os princípios do Congresso Revolucionário não estavam sendo observados.

O Partido Socialista de Pernambuco não conseguiu eleger nenhum representante à Assembleia Nacional Constituinte no pleito de maio de 1933.