CAIADO, Brasílio

Brasílio Ramos Caiado nasceu em Goiás (GO) no dia 8 de agosto de 1929, filho de Brasil Ramos Caiado e de Noêmia Rodrigues Caiado. Sua família teve intensa participação no cenário político de Goiás. Seu pai foi presidente do estado de 1925 a 1929 e senador entre este último ano e 1930. Seu tio Antônio Ramos Caiado foi deputado federal de 1909 a 1921 e posteriormente senador. Mário de Alencastro Caiado integrou a junta governativa que assumiu o poder em Goiás com a Revolução de 1930, tendo sido ainda constituinte em 1934 e senador de 1935 a 1937. Seus primos Emival Ramos Caiado foi deputado federal de 1955 a 1971 e senador de 1971 a 1974. Elcival Ramos Caiado foi deputado federal de 1975 a 1979, Leonino Di Ramos Caiado foi governador de Goiás de 1971 a 1975 e Ronaldo Caiado foi candidato à presidência da República em 1989 e deputado federal (1991-1995; 1999-).

Brasílio Caiado cursou a Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, diplomando-se em 1958. Ingressou na vida política ainda nesse período integrando o Clube da Lanterna, organização civil fundada em 28 de agosto de 1953, no Rio de Janeiro pelo jornalista Carlos Lacerda para combater o governo do presidente Getúlio Vargas.

Fazendeiro, foi prefeito da cidade de Goiás entre 1961 e 1966. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instalado no país em abril de 1964, em cuja legenda se elegeu deputado estadual no pleito de novembro de 1966. Assumiu o mandato em fevereiro de 1967 e nesse mesmo ano foi líder do governo na Assembleia Legislativa goiana, da qual se tornou presidente em 1970.

No pleito de novembro de 1970, elegeu-se deputado federal por Goiás na legenda da Arena. Deixando a Assembleia em janeiro de 1971, iniciou seu mandato na Câmara Federal em fevereiro seguinte, tornando-se membro efetivo das comissões de Saúde e de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste e suplente das comissões de Educação e Cultura e de Finanças. A partir de outubro de 1972, tornou-se vice-líder da Arena. Encerrou o mandato em janeiro de 1975 e em novembro de 1978 elegeu-se novamente deputado federal por Goiás sempre na mesma legenda. Entretanto, pouco depois de assumir sua cadeira em fevereiro do ano seguinte, foi nomeado secretário do Interior e Justiça de Goiás no governo de Ari Valadão, iniciado em 15 de março seguinte.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), situacionista. Em 1981 deixou seu cargo no governo goiano e reassumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Nas eleições de novembro de 1982, foi reeleito à Câmara dos Deputados pelo estado de Goiás, na legenda do PDS, vindo a integrar a Comissão de Ciência e Tecnologia.

Em 25 de abril de 1984 votou contra a emenda Dante de Oliveira, que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à sua aprovação - faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado Federal -, no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, Brasílio Caiado votou no candidato do regime militar, Paulo Maluf, que acabou sendo derrotado pelo oposicionista Tancredo Neves, eleito novo presidente da República pela Aliança Democrática, uma união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo desde 15 de março desse ano.

Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987 ao final da legislatura, sem que houvesse disputado a reeleição em novembro do ano anterior. Afastando-se da carreira política, desfiliou-se do PDS e passou a dedicar-se ao exercício da medicina e às suas atividades de fazendeiro.

Faleceu em 23 de setembro de 2006.

Era casado com Tânia Maria Mendes Caiado, com quem teve sete filhos.