PILOTTO, Ruberval
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Rejane Araújo |
Ruberval Francisco Pilotto nasceu em Urussanga (SC), no dia 16 de julho de 1947, filho de Dionísio Pilotto e Benigna Bez Fontana Pilotto. Seu pai foi prefeito de Urussanga entre 1951 e 1956.
Diplomado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre em 1973, elegeu-se prefeito de sua cidade natal em novembro de 1976, na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar instalado no país em abril de 1964. Com a extinção do bipartidarismo, em 27 de novembro de 1979, e a reorganização partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), que deu continuidade à linha de atuação da Arena.
Em novembro de 1982, elegeu-se deputado estadual e foi segundo-secretário da Assembleia Legislativa entre 1983 e 1984. Como delegado no Colégio Eleitoral que, em 15 de janeiro de 1985, escolheu o sucessor do presidente João Figueiredo (1979-1982), votou no candidato apoiado pelo governo militar, Paulo Salim Maluf, derrotado por Tancredo Neves. Eleito presidente da República pela Aliança Democrática - união do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal - Tancredo não chegou a tomar posse. Doente, morreu em 21 de abril de 1985. Assumiu o vice-presidente José Sarney, que ocupava o cargo interinamente desde 15 de março.
No biênio 1985-1986, Pilotto presidiu a Comissão de Leis da Assembleia Legislativa. Em novembro de 1986, elegeu-se deputado federal constituinte pelo PDS catarinense. Na Assembleia Nacional Constituinte, foi titular da Subcomissão do Sistema Financeiro, da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças; e suplente da Subcomissão da Educação, Cultura e Esportes, das comissões da Família, da Educação, da Cultura e Esportes, de Ciência e Tecnologia e da Comunicação.
Um dos fundadores do Centrão, bloco parlamentar suprapartidário que garantiu a aprovação das teses mais conservadoras na nova Constituição, votou contra o rompimento de relações diplomáticas com países que têm política de discriminação racial, a limitação do direito de propriedade privada, a estabilidade no emprego, a remuneração 50% superior para o trabalho extra e a jornada semanal de 40 horas. Manifestou-se também contra o turno ininterrupto de seis horas, o aviso prévio proporcional, a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro, o limite de 12% ao ano para os juros reais, a proibição do comércio de sangue, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária e a desapropriação da propriedade produtiva. Foi favorável à pluralidade sindical, ao voto aos 16 anos, ao presidencialismo, ao mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, à anistia aos micro e pequenos empresários e à legalização do jogo.
Com a promulgação da nova Constituição, em 5 de outubro de 1988, voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários, sendo quarto-secretário da mesa da Câmara dos Deputados (1989-1991).
Em outubro de 1990 reelegeu-se deputado federal. Durante o exercício do mandato foi segundo-vice-presidente da Comissão de Minas e Energia (1991-1992), suplente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (1991-1992), e titular da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional (1992). Atuou como titular nas comissões de Minas e Energia (1992 e 1994) e de Relações Exteriores (1994). Em abril de 1993, filiou-se ao Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC).
Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor do impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com o esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias. Afastado da presidência após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado. O vice-presidente Itamar Franco, que já exercia o cargo interinamente desde 2 de outubro, tomou posse.
Em abril de 1994, Ruberval Pilotto licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Tecnologia, Energia e Meio Ambiente de Santa Catarina, a convite do governador Vílson Kleinubing, cargo em que permaneceu até o final do governo, em 31 de dezembro de 1994. Sua vaga na Câmara foi ocupada pelo suplente Orlando Pacheco.
Em outubro de 1996, disputou a eleição para a prefeitura de Urussanga na chapa formada pela coligação do Partido Progressista Brasileiro (PPB) - agremiação originária da fusão do PPR com o Partido Progressista (PP), em agosto de 1995 - com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Eleito, tomou posse em 1º de janeiro de 1997. Dois anos depois, deixou o PPB e filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL). Deixou o cargo de prefeito em 2000.
Presidiu a ELETROSUL no primeiro semestre de 2002. Com a refundação do PFL com o nome de Democratas (DEM) acompanhou a decisão e filiou-se ao novo partido em 2007, porém no ano seguinte deixou a agremiação.
Foi casado com Maria Cristina Lapolli, com quem teve duas filhas.