SALES, Colombo
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Colombo Machado Sales nasceu em Laguna (SC) no dia 20 de maio de 1926, filho de Calistrato Müller Sales e de Berta Machado Sales.
Realizou os primeiros estudos no Grupo Escolar Jerônimo Coelho e no Ginásio Lagunense, em sua cidade natal, diplomando-se engenheiro civil em 1949 pela Escola de Engenharia da Universidade do Paraná.
Em 1951, por meio de concurso público, ingressou nos quadros do Ministério da Viação e Obras Públicas como engenheiro do Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais, assumindo a administração do Porto de Laguna (SC). Em 1957, viajou à França onde fez o curso de Modelos Reduzidos de Portos no Laboratoire Central d”Hydraulique de France, em Maison-Alfort. Dois anos depois, foi designado chefe do Distrito de Portos e Vias Navegáveis em Santa Catarina. Dos trabalhos realizados sob sua responsabilidade destacaram-se a construção dos canais de Sanga da Madeira (SC), do Rio Negro (SC) e de Álveo do Rio Madre, em 1958; e o projeto do porto militar e comercial de Anhatomirim, e o projeto de regularização da rede fluvial sul-catarinense, em 1959.
Professor de matemática, física, química e estatística da Escola Técnica do Comércio de Laguna de 1959 a 1963, representou o Ministério da Viação e Obras Públicas no Conselho do Trabalho Marítimo em março de 1962, tornando-se nesse mesmo ano chefe do gabinete de administração do Porto do Rio de Janeiro.
Em 1964, transferiu-se para Brasília, onde assumiu a chefia do gabinete do prefeito do Distrito Federal (Brasília), Plínio Cantanhede (1964-1967), a partir de junho de 1964, foi designado em setembro para presidir o grupo de trabalho encarregado de elaborar o Plano de Aplicação dos Recursos Orçamentários na Região Geoeconômica Circunvizinha do Distrito Federal. Ainda em 1964, tornou-se professor titular da cadeira de portos de mar, rios e canais na Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Goiás, atividade que exerceria até 1974.
Nomeado secretário do governo do Distrito Federal em dezembro de 1964, tornou-se coordenador executivo da reestruturação administrativa do Distrito Federal em janeiro de 1965. Em agosto do mesmo ano assumiu a chefia do 17º Distrito dos Portos e Vias Navegáveis, abrangendo os portos catarinenses de São Francisco do Sul, Itajaí, Imbituba, Florianópolis e Laguna. No mês seguinte, foi nomeado para o conselho de administração da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap).
Presidente da Fundação Cultural do Distrito Federal, em agosto de 1966 representou o Distrito Federal no Simpósio da Associação Promotora do Desenvolvimento de Brasília. Após ter ocupado a Secretaria de Finanças do Distrito Federal, foi nomeado, em outubro de 1966, ainda durante a gestão de Plínio Cantanhede, para as secretarias de Educação e Cultura e de Serviços Sociais do Distrito Federal e para a presidência da Fundação Educacional do Distrito Federal. Em novembro representou o Distrito Federal no III Congresso Hispano-Luso-Americano-Filipino de Municípios.
Professor-colaborador da Universidade de Brasília (UnB) em 1967, chefiou, nessa época, a comissão organizadora da Faculdade de Tecnologia da Universidade. Em abril do mesmo ano foi designado assessor do gabinete do diretor-geral do Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis (DNPVN) e chefe de representação do mesmo órgão em Brasília. Em janeiro de 1968 assumiu a presidência da Comissão Executiva, da Navegação do Sistema Tietê-Paraná e a assessoria da comissão interministerial incumbida de elaborar o Plano Nacional de Portos de Pesca. Ainda em 1968, foi chefe da Assessoria de Planejamento e Orçamento do Ministério dos Transportes, membro efetivo do Conselho Nacional dos Transportes, do Conselho da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e chefe do Grupo Executivo dos Transportes.
Em 1969, exerceu os cargos de diretor geral do DNPVN, secretário executivo do segundo Plano de Metas do governo do estado de Santa Catarina e presidente dos conselhos de administração da Companhia Brasileira de Dragagem e da Terminais Salineiros do Nordeste S.A. (Termisa). No ano seguintes fez o curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), em Florianópolis, e em 1971 participou do II Congresso de Transportes do Rio Grande do Sul, realizado na capital gaúcha.
No governo de Santa Catarina
Foi eleito governador de Santa Catarina pela Assembleia Legislativa do estado em outubro de 1970, sucedendo a Ivo Silveira (1966-1971). Tomou posse em março de 1971. Durante seu governo buscou implementar o projeto que dividia o estado em microrregiões, a fim de disciplinar o processo de desenvolvimento regional, fomentou a assistência técnica e creditícia e imprimiu grande impulso ao setor industrial, propiciando expressivo desenvolvimento no estado através da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e do aumento da renda per capita. No setor educacional, atendeu a 87% da população escolar na faixa etária de sete a 14 anos e promoveu a ampliação da rede escolar em todos os graus. Realizou diversas obras na capital, notadamente no setor viário, tendo construído nova ponte entre o continente e a ilha de Santa Catarina, que recebeu seu nome. Construiu também mais de 500 quilômetros de estradas por todo o estado. Destacou-se ainda em sua gestão a elevação do consumo global de energia elétrica, a ampliação e modernização da rede de comunicações, a extensão da rede de água e esgoto, a instalação de unidades sanitárias no interior do estado e a expansão da rede hospitalar.
Em março de 1975 deixou o governo catarinense, transmitindo-o a Antônio Carlos Konder Reis e retomando ao trabalho no DNPVN. Nesse mesmo ano, fez o curso de infra-estrutura de transportes do Instituto de Altos Estudos de Política e Estratégia do Estado Maior das Forças Armadas e ingressou no corpo docente da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), como professor titular da cadeira de portos de mar, rios e canais, onde permaneceria até aposentar-se em 1992. Entre abril de 1982 e março de 1983, exerceu o cargo de diretor-presidente da Indústria Carboquímica Catarinense.
Membro dos conselhos regionais de Engenharia e Arquitetura de Santa Catarina e do Distrito Federal, desenvolveu, ao longo de sua vida profissional, diversos projetos e estudos no campo da engenharia hidráulica, particularmente sobre canais e portos, e do planejamento econômico, entre os quais incluem-se o estudo e o projeto sobre a regularização do vale do rio Tijucas, o estudo de viabilidade sobre os corredores de exportação de Santa Catarina, o estudo sobre o efeito da turbulência na dissipação de energia nas vagas oceânicas e o modelo matemático sobre a propagação da maré no esteiro de Santa Catarina (1991).
Casou-se com Daisy Werner Sales, com quem teve três filhos.
Publicou Observações oceanográficas (1956), Distrito Federal e sua nova estrutura administrativa (4 v., 1966), Brasília - conteúdo e continente (1967), Projeto catarinense de desenvolvimento - plano de governo para o estado de Santa Catarina (1971), Corredores de exportação - viabilidade em Santa Catarina (1973), Transformações e tendências da sociedade catarinense da década dos setenta (1974), Santa Catarina - síntese conjuntural (1974), Transmissão do conhecimento humano (1974), Primeiro orçamento programa do Distrito Federal e Plano diretor regional do Distrito Federal.