GRUPO DE AÇÃO POLÍTICA PRÓ-DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (GAP)
| Tipo | Temático |
|---|---|
| Autor(es) | Sérgio Lamarão |
Movimento interpartidário constituído na Câmara Federal em meados de 1957. Era composto por cerca de cem parlamentares do Partido Social Democrático (PSD) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), agremiações que davam sustentação política ao governo do presidente Juscelino Kubitschek, e mais 40 deputados de partidos da oposição. Adotando uma linha de atuação nacionalista, não chegou a funcionar plenamente, confundindo-se com a Frente Parlamentar Nacionalista, movimento igualmente interpartidário surgido no Congresso no final de 1955 e do qual muitos membros do próprio GAP faziam parte.
Em julho de 1957, o deputado federal Bento Gonçalves Filho, do Partido Republicano (PR) de Minas Gerais, leu o manifesto do GAP na Câmara. Segundo o documento, o objetivo central do movimento era “coordenar a ação político-administrativa de modo a conduzir o país a um tipo de desenvolvimento econômico que lhe assegurasse plena autonomia”. Para que esse desenvolvimento independente se concretizasse, o GAP preconizava uma série de medidas, entre as quais as seguintes: formação de uma frente nacional para a defesa do desenvolvimento brasileiro, congregando “todas as forças vivas da nação”; nacionalização e monopólio estatal das fontes de energia e dos minerais estratégicos considerados indispensáveis à defesa nacional; fortalecimento das indústrias de base, principalmente da siderurgia, da química e da mecânica pesadas; monopólio estatal de todas as fases de exploração do petróleo, desde a pesquisa até a distribuição; transformação da estrutura agrária, possibilitando o acesso do homem do campo à terra, e estabelecimento de relações diplomáticas com todos os países do mundo.
Em termos estritamente políticos, o GAP pretendia recuperar o prestígio do Legislativo, levando-o a discutir questões de real interesse da coletividade. Pretendia também disciplinar e ordenar os trabalhos legislativos e lutar pelo equilíbrio orçamentário. Por outro lado, o movimento tinha a intenção de transformar em projetos de lei os itens da sua plataforma nacionalista, tendo, nesse sentido, entrado em entendimento com o ministro da Justiça, Nereu Ramos, que se declarara formalmente solidário com o seu programa.
A direção do GAP era formada pelos deputados Bento Gonçalves (presidente), Dagoberto Sales, do PSD de São Paulo (primeiro-vice-presidente), Josué de Castro, do PTB de Pernambuco (segundo-vice-presidente) e mais Abguar Bastos, do PTB de São Paulo, Sérgio Magalhães, do PTB do Distrito Federal, Nita Costa, do PTB da Bahia, Hermógenes Príncipe e Hildebrando de Góis, ambos do PR da Bahia, Colombo de Sousa, do Partido Social Progressista (PSP) do Ceará e Teotônio Monteiro de Barros, do PSP de São Paulo.