BOLSONARO, Jair
| Tipo | Biográfico |
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| Cargos |
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| Autor(es) | Maria Carmina Monteiro, Márcia de Sousa, Fabricio Pereira da Silva, Sérgio Praça (atualização), Bárbara Lima (atualização) |
Jair Messias Bolsonaro nasceu em Campinas (SP) no dia 21 de março de 1955, filho de Perci Geraldo Bolsonaro e de Olinda Bonturi Bolsonaro.
Em 1977 concluiu o curso de formação de oficiais da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), localizada em Resende (RJ), e o curso de paraquedismo militar na Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro. Em 1983 formou-se em educação física na Escola de Educação Física do Exército, e tornou-se mestre em saltos pela Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro.
Em 1986, servindo como capitão no 8º Grupo de Artilharia de Campanha, ganhou projeção nacional ao escrever, na revista Veja, artigo intitulado “O salário está baixo”. Para Bolsonaro, o desligamento de dezenas de cadetes da AMAN se devia aos baixos salários pagos à categoria de uma forma geral, e não a desvios de conduta, como queria deixar transparecer a cúpula do Exército. O artigo levou à sua prisão, por infringir o regulamento disciplinar, mas a atitude de seus superiores provocou também a reação de oficiais da ativa e da reserva. Bolsonaro recebeu cerca de 150 telegramas de solidariedade das mais variadas regiões do país, além do apoio de oficiais do Instituto Militar de Engenharia (IME) e de esposas de oficiais, que realizaram manifestação em frente ao complexo militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.
Em outubro de 1987, o clima de descontentamento entre os militares culminou em novos atos de indisciplina. A revista Veja noticiou a invasão da prefeitura de Apucarana (PR) pelo capitão Luís Fernando Valter de Almeida que, à frente de 50 homens, leu manifesto contra os baixos salários das Forças Armadas. A mesma reportagem revelava um plano em que o capitão Bolsonaro, na época cursando a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), era um dos personagens centrais. Denominado “Operação beco sem saída”, o plano tinha como objetivo “explodir bombas em várias unidades da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras (...) e em vários quartéis”, com cuidado para que não houvesse feridos. A operação, no entanto, só seria executada caso o reajuste concedido aos militares pelo governo federal ficasse abaixo de 60% e serviria para “assustar” o ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves.
O plano atribuído a Bolsonaro e ao capitão Fábio Passos da Silva provocou reações imediatas do ministro do Exército. Convocados a se explicar, os dois capitães “negaram peremptoriamente, da maneira mais veemente, por escrito, do próprio punho, qualquer veracidade daquela informação”, segundo declaração do próprio general Leônidas. Posteriormente, contudo, o fato de existirem testemunhas e provas documentais (na ocasião da reportagem realizada na Vila Militar, Bolsonaro havia desenhado um croqui, no qual, de forma didática, explicara à repórter o funcionamento de uma carga de dinamite) levou o ministro a considerar que se precipitara ao inocentar os dois capitães. Leônidas Pires Gonçalves enviou então ao Superior Tribunal Militar (STM) os resultados de uma sindicância feita pelo Exército, no Rio de Janeiro, que concluía que os dois envolvidos deveriam ser excluídos das Forças Armadas.
O julgamento, realizado em junho de 1988 pelo STM, decidiu pelo não afastamento dos dois capitães dos quadros do Exército, pois o tribunal acolheu a defesa dos militares, que “se consideravam vítimas de um processo viciado”. Em defesa, alegaram serem insuficientes as provas documentais — cujo laudo pericial havia sido feito pela Polícia do Exército — por não permitirem comparações caligráficas, uma vez que o documento havia sido redigido em letra de imprensa. Mais tarde, entretanto, esse laudo viria a ser desmentido pela Polícia Federal (PF), que confirmou tratar-se da caligrafia de Bolsonaro.
Toda essa polêmica em torno de Bolsonaro — que ainda em 1988 foi para a reserva com a patente de capitão — rendeu projeção nos meios militares, o que contribuiu para sua eleição para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro em novembro de 1988, na legenda do Partido Democrata Cristão (PDC).
Empossado em janeiro seguinte, cumpriu pouco tempo de mandato, uma vez que em outubro de 1990 foi eleito deputado federal, na mesma legenda, com os votos de suas bases eleitorais na Vila Militar e em algumas zonas de Resende. Renunciou em seguida ao mandato de vereador para tomar posse na Câmara dos Deputados em fevereiro de 1991, onde integrou a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público. No exercício do mandato, foi um dos 441 deputados que votaram a favor da abertura de processo de impeachment do presidente da República, Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade após a conclusão dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada no Congresso Nacional para investigar denúncias de corrupção contra Paulo César Farias, ex-tesoureiro de sua campanha presidencial.
Em abril de 1993, foi um dos fundadores do Partido Progressista Reformador (PPR), nascido da fusão do PDC com o Partido Democrático Social (PDS). Também no mesmo ano, voltou a provocar polêmica ao defender o retorno do regime de exceção e o fechamento temporário do Congresso Nacional. Alegava o deputado Bolsonaro que a existência de muitas leis atrapalhava o exercício do poder e que, “num regime de exceção, o chefe, que não precisa ser um militar, pega uma caneta e risca a lei que está atrapalhando”. Tal pronunciamento causou inúmeros protestos e levou o corregedor do Congresso Nacional, deputado Vital Rego, a solicitar ao procurador-geral da República, Aristides Junqueira, o início de uma ação penal contra Bolsonaro por crime contra a segurança nacional, ofensa à Constituição e ao regimento interno da Câmara. A reação dos círculos militares veio por meio do general da reserva Luís Henrique Domingues, porta-voz do Movimento dos Guararapes, que condenou qualquer tentativa de punição do deputado.
Em junho de 1994, Bolsonaro envolveu-se em mais uma polêmica, dessa vez com o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, do Partido Popular (PP). Na ocasião, acusou o governador de barganhar com o governo federal a liberação de verbas para a construção do metrô de Brasília em troca de votos a favor da aprovação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF).
Embora, em agosto de 1994, tivesse voltado a pedir o fechamento do Congresso Nacional, declarando preferir “sobreviver no regime militar a morrer nesta democracia”, Bolsonaro concorreu a um novo mandato parlamentar, tendo sido reeleito no pleito de 3 de outubro daquele ano. Sua plataforma de campanha incluía, além da luta pela melhoria salarial para os militares, o fim da estabilidade dos servidores, a defesa do controle de natalidade e a revisão da área dos índios ianomâmis, cuja extensão considerava absurda. Reelegeu-se com quase 135 mil votos — mais do dobro da eleição anterior —, a maioria proveniente de sua base eleitoral, formada por militares. Ainda em outubro, no entanto, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro decidiu anular o pleito por suspeitas de fraude. Marcada nova eleição para novembro, Bolsonaro confirmou sua reeleição. Empossado em fevereiro seguinte, tornou-se membro da Comissão de Defesa Nacional e foi novamente indicado para a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara.
Em agosto de 1995, com a criação do Partido Progressista Brasileiro (PPB), resultado da fusão do PPR com o PP, Bolsonaro transferiu-se para a nova agremiação. Nas votações das emendas constitucionais propostas pelo governo Fernando Henrique nesse mesmo ano, foi favorável à quebra do monopólio dos governos estaduais na distribuição de gás canalizado e à mudança no conceito de empresa nacional. Pronunciou-se contra a abertura da navegação de cabotagem às embarcações estrangeiras e a abolição do monopólio estatal nos setores das telecomunicações e da exploração do petróleo, concentrado pela Petrobras. Em julho de 1996, manifestou-se contra a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), antigo IPMF.
Em novembro de 1996, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu revogar o pleito de novembro de 1994 e restabelecer o resultado da eleição de outubro. Considerando que as denúncias de fraude não tinham sido devidamente comprovadas, o TSE determinou uma nova diplomação da bancada do Rio de Janeiro, de acordo com o resultado da primeira eleição. Vitorioso nos dois pleitos, Bolsonaro foi reempossado na Câmara em 17 de fevereiro de 1997, continuando a exercer normalmente seu mandato e tornando-se membro da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Ainda em fevereiro, votou contra a emenda que estabeleceu o direito de reeleição para prefeitos, governadores de estado e presidente da República. Em maio, foi um dos parlamentares que denunciaram na imprensa a compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição. Em novembro, pronunciou-se contra o destaque ao projeto de reforma administrativa do governo federal que instituía a possibilidade de demissão no funcionalismo público em caso de mau desempenho do servidor ou toda vez que os gastos com pessoal superassem 60% da arrecadação do Estado.
Em março de 1998 esteve no centro da polêmica sobre a eleição para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Candidato ao cargo, Bolsonaro enfrentou a reação de vários setores da sociedade, que chamavam atenção para seu envolvimento com os segmentos responsáveis pela violação de direitos humanos. No mesmo mês, publicou na imprensa um artigo no qual defendia a pena de morte, a prisão perpétua, o regime de trabalhos forçados para condenados, a redução da maioridade para 16 anos e um rígido controle da natalidade como maneira eficaz de combate à miséria e à violência.
Nas eleições de outubro de 1998 candidatou-se mais uma vez e foi reeleito com 102.893 votos. Em novembro, manifestou-se contra os destaques da reforma da previdência que propunham o estabelecimento de um teto para as aposentadorias dos funcionários públicos e a adoção dos critérios de idade mínima e de tempo de contribuição para a concessão de aposentadorias no setor privado. Assumiu seu novo mandato na Câmara em fevereiro de 1999 e tornou-se titular da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, e da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.
Em junho, a Mesa Diretora da Câmara decidiu propor ao plenário sua suspensão por um mês, por ter defendido o fechamento do Congresso e afirmado que “a situação do país seria melhor se a ditadura tivesse matado mais gente”, incluindo o presidente da República Fernando Henrique Cardoso. A Mesa Diretora havia optado por apenas censurá-lo, após ter recebido uma retratação, mas voltou atrás quando Bolsonaro não reconheceu a retratação, afirmando que sua assinatura havia sido falsificada. No entanto, a proposta da Mesa Diretora nunca chegou a ser votada pelo plenário da Câmara.
Em agosto, foi divulgado que Bolsonaro praticava nepotismo, pois empregava em seu gabinete sua companheira Ana Cristina Vale, o pai e a irmã dela. Na ocasião afirmou estar se divorciando de sua esposa, e argumentou que, por não ser casado com Ana Cristina, não configurava prática de nepotismo. Em dezembro envolveu-se em nova polêmica ao defender o fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso. O ataque ocorreu em almoço de desagravo ao ex-comandante da Aeronáutica, Walter Braüer, exonerado pouco antes. Em seguida, afirmou que o fuzilamento era até “algo honroso para certas pessoas”. O líder do governo na Câmara, Artur Virgílio, do PSDB, chegou a entrar com pedido de cassação de seu mandato, mas a proposta tampouco chegou ao plenário da casa.
No início de 2000, Bolsonaro defendeu a pena de morte para qualquer crime premeditado, e a tortura em casos de tráfico de drogas, afirmando que “um traficante que age nas ruas contra nossos filhos tem que ser colocado no pau-de-arara imediatamente. Não tem direitos humanos nesse caso. [...] Para sequestrador, a mesma coisa. O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico”. Atacou também os homossexuais, dizendo não “admitir abrir a porta do meu apartamento e topar com um casal gay se despedindo com beijo na boca, e meu filho assistindo a isso”. Em dezembro, foi o único deputado a votar contra a criação do Fundo de Combate à Pobreza.
Seguiu defendendo os interesses das Forças Armadas e demonstrou sua insatisfação com o aumento da ingerência civil sobre os militares a partir da criação do Ministério da Defesa pelo governo Fernando Henrique. Em audiência do ministro da Defesa Geraldo Quintão na Câmara, criticou-o por postergar o reajuste dos militares, qualificou-o de “despreparado” e acusou-o de estar “servindo aos interesses dos EUA no país”. Em discurso pronunciado em plenário alguns dias antes, havia chamado o mesmo ministro de “canalha”, “patife” e “imoral”.
Nas eleições de 2002, candidatou-se pela quarta vez a deputado federal pelo Rio de Janeiro, novamente na legenda do PPB. Reeleito com 88.945 votos, assumiu seu novo mandato em fevereiro de 2003, um mês após o início do governo de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).
Durante o exercício deste mandato na Câmara, foi titular das comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania; de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Ainda no início de 2003, declarou-se contrário à reforma da previdência proposta pelo governo federal. Também naquele ano, deixou o PPB para filiar-se ao PTB, mas no início de 2005, deixou o PTB e se filiou ao Partido da Frente Liberal (PFL). Em abril, deixou o PFL e foi para o Partido Progressista (PP), nova denominação do PPB, sua antiga legenda.
Ainda no ano de 2005, destacou-se pelos ataques ao Partido dos Trabalhadores (PT) durante a chamada crise do “Mensalão”, como ficou conhecida a crise política envolvendo membros do governo Lula e parlamentares, acusados de financiamento ilícito de campanhas eleitorais e de compra e venda de votos para a aprovação de projetos do governo federal. Ao mesmo tempo que a crise política se desdobrava, iniciou-se a campanha em torno da consulta popular a respeito da proibição ou não da venda de armas no Brasil, a ser realizada no dia 23 de outubro. Bolsonaro havia sido crítico das campanhas pelo desarmamento organizadas pelo governo federal em anos anteriores. Por ocasião do referendo, posicionou-se entre os defensores e organizadores da campanha do “não”.
Bolsonaro sempre foi crítico das políticas de memória defendidas e implantadas pelos governos civis, defendendo sistematicamente a atuação do regime militar. Também questionava a repressão à Guerrilha do Araguaia. Em 2006, quando o governo federal determinou que se fizessem esforços para que os restos mortais dos guerrilheiros desaparecidos em combates com as Forças Amadas fossem localizados, mandou confeccionar e expôs cartazes com os dizeres “Araguaia: quem procura osso é cachorro”.
Nas eleições de 2006, foi reeleito para o quinto mandato consecutivo, com 99.700 votos. Tomou posse em fevereiro de 2007 e, nessa legislatura, foi titular das comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania; de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Em 2008 envolveu-se em nova polêmica, em audiência pública na Câmara para debater a situação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, no estado de Roraima. A demarcação realizada pelo governo federal era contestada pelo governo estadual, e ocorriam conflitos entre agricultores e indígenas. Bolsonaro combateu a demarcação contínua em área de fronteira, afirmando que ela poria em risco a integridade nacional, e colocou-se contra o ministro da Justiça Tarso Genro (PT). Na ocasião, o representante indígena no debate, Jecinaldo Sateré Maué, atirou água no deputado. Em 2009 o Partido Comunista do Brasil (PC do B) entrou com representação contra o parlamentar por quebra de decoro.
Nas eleições de 2010 reelegeu-se deputado federal com 120.646 votos, sendo o décimo-primeiro deputado federal mais votado do estado do Rio de Janeiro. Iniciada a legislatura, em fevereiro de 2011 foi candidato à presidência da Câmara dos Deputados. Na ocasião, obteve nove votos, ao passo que o parlamentar eleito, Marco Maia, recebeu 375 votos, e os outros dois postulantes, Sandro Mabel e Chico Alencar, respectivamente, 106 e 16.
No exercício do mandato, participou das Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania; de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; e de Direitos Humanos e Minorias. Além destas, atuou também participou do Ato Público no Rio acerca da Redistribuição dos Royalties. Em abril de 2011, envolveu-se em nova polêmica, desta vez com o deputado do PSOL Jean Willys. Em uma audiência na Comissão de Direitos Humanos, o deputado criticou o que batizou de “kit gay”, material produzido pelo Ministério da Educação para combater a homofobia nas escolas, e atacou indiretamente Willys, que se declara homossexual e que estava presente à sessão. Na ocasião, foi interrompido por Manuela D'Ávila (PCdoB), presidente da comissão, que considerou as falas do deputado ofensivas. Enquanto o deputado dizia não ter ofendido parlamentar algum, Wyllys alegou ter se sentido ofendido, sendo então atacado diretamente por Bolsonaro, que disse “O problema é seu. Eu não teria orgulho de ter um filho como você”, quando novamente a presidente da comissão teve de intervir. No mês seguinte, voltou a envolver-se em polêmica, dessa vez em uma tentativa da Comissão de Direitos Humanos do Senado de retomar o debate e a apreciação do projeto de lei da Câmara que criminalizava a homofobia. Diante da mobilização feita pela bancada evangélica e alguns deputados, entre os quais Anthony Garotinho (PR-RJ) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), a senadora Marta Suplicy (PT-SP), relatora da matéria, preferiu tirar o assunto de pauta. Posteriormente, no entanto, enquanto Suplicy concedia uma entrevista à imprensa, Bolsonaro exibia, por trás dela, um panfleto acusando o governo de estimular o homossexualismo nas escolas. A senadora Marinor Brito (PSOL-PA), ao notar a cena, bateu no panfleto e ordenou que eles fossem retirados. O deputado então respondeu com insinuações sobre o interesse da senadora, a quem chamou de heterofóbica. A pauta da homossexualidade por diversas vezes voltaria ainda à tona ao longo da trajetória do deputado, tal qual ocorreu em 2013 e 2014, quando em entrevistas concedidas a jornalistas, declarou que, assim como ele, os brasileiros não gostavam dos homossexuais, e também que a maioria dos homossexuais o são como resultado de consumo de drogas, enquanto uma minoria já nascia com ‘defeito de fábrica’.
Candidatou-se a mais um mandato como deputado federal em 2014, tendo obtido êxito e recebido 464 mil votos, equivalentes a quase quatro vezes mais votos do que no pleito anterior.
No exercício desta legislatura, inicialmente foi titular da Comissão de Direitos Humanos e Minorias e da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. No ano seguinte, em abril migrou do PP para o Partido Social Cristão (PSC), alegando que na legenda anterior não teria espaço para concorrer a cargos mais altos. Durante o primeiro ano do mandato, foi favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em abril de 2016, durante a votação do pedido de afastamento da presidente por crime de responsabilidade, Bolsonaro anunciou seu voto pela admissibilidade proferindo homenagem ao falecido coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado como torturador ativo no período do regime militar, durante o qual a própria presidente havia sido presa e torturada. Em função da homenagem, Bolsonaro veio a ser denunciado ao Conselho de Ética da Câmara, por apologia à tortura.
Em 2017, por ocasião de novas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, foi candidato ao posto pela terceira vez. Neste tento, em função do impeachment sofrido pela presidente eleita Dilma Rousseff e da decorrente vacância na vice-presidência, o cargo no Congresso corresponderia também ao próximo na linha de sucessão presidencial. Na disputa em questão, entretanto, Bolsonaro foi o menos votado entre os seis postulantes, com apenas quatro votos. O eleito veio a ser Rodrigo Maia, do Democratas, que contou com o apoio de um grande número de partidos, e também da bancada governista, que após a derrubada da presidente eleita Dilma Rousseff, passou a ter o PMDB como principal partido situacionista.
Ainda em 2017, sem garantias sobre o lançamento de seu nome como candidato à Presidência da República para as eleições do ano seguinte, iniciou tratativas para uma nova migração partidária. Entre as legendas cogitadas, avaliou o ingresso no PSDC, assim como em outra que se encontrava em fase de formação, denominada Muda Brasil, e, por fim, chegou inclusive a assinar um compromisso de filiação ao Partido Ecológico Nacional, que à época passava a ter a alcunha de Patriotas. Alegando, porém, não ter obtido a autonomia vislumbrada na legenda em questão, veio a abrir negociações com o Partido Social Liberal (PSL), de matiz vinculada ao liberalismo e cujo presidente nacional, Luciano Bivar, aceitara ceder postos-chave da organização partidária. Em março de 2018, Bolsonaro então filiou-se ao PSL, acompanhado por seus filhos e outros postulantes para a disputa eleitoral vindoura.
Na condição de pré-candidato à chefia do Poder Executivo nacional, intensificou a quantidade de viagens pelo país, tendo participado de atividades políticas as quais não apenas concebiam maior notoriedade nacional como postulante, como demarcavam também suas pautas prioritárias. Em viagem a Campo Grande, por exemplo, defendeu o direito ao porte de armas de fogo, ao passo que em Belém deu destaque à necessidade de uma política mineral ativa, com a legalização do garimpo, e, por várias outras vezes, mobilizou a pauta dos costumes e também da segurança pública. Ademais, no processo de compilação efetiva da equipe e do programa, reforçou que deixaria toda a plataforma econômica a cargo de Paulo Guedes, um economista liberal e defensor da privatização de empresas estatais, bem como da adoção de um sistema de capitalização para o regime previdenciário brasileiro, então apontado como deficitário ao extremo.
A candidatura foi oficializada em julho de 2018 e recebeu o apoio formal do PRTB, que indicou como postulante a vice o general Hamilton Mourão e contou com a participação efetiva de parlamentares do DEM e do PSC, muito embora estes últimos o tenham feito de modo independente de seus respectivos partidos. À época, o então candidato Bolsonaro ressaltou que embora não tivesse amplas estruturas partidárias sustentando sua candidatura e escasso fosse o tempo de propaganda na televisão, confiava na espontaneidade dos seus apoiadores, que se mobilizariam em plataformas digitais e viabilizariam uma campanha massiva e de baixo custo.
No evento de lançamento da candidatura, defendeu a fusão de ministérios, a privatização de partes da Petrobras, além de defender o fim do que chamava de 'indústria de multas', fazendo referência às estradas e também a órgãos associados à defesa do meio ambiente e à fiscalização de condições de trabalho. Foram lançadas ainda as candidaturas de dois de seus filhos, Flávio e Eduardo, respectivamente, aos postos de senador e deputado federal - o primeiro pelo Rio de Janeiro, e o segundo por São Paulo.
Nas pesquisas de intenção de voto divulgadas pela maioria dos institutos até pouco antes do pleito, dentre os treze candidatos, era apontado como o segundo na preferência dos eleitores. Ficava atrás apenas do ex-presidente Lula, pelo PT, que ainda recorria da condição de inelegível e buscava registrá-lo, embora já se apontasse o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como seu sucessor.
Iniciada a campanha, seguiu com sua agenda de viagens pelo Brasil e, durante um evento na cidade de Juiz de Fora em setembro, sofreu um atentado no qual foi atingido e ferido à faca, tendo sido em seguida encaminhado ao hospital. Foi internado e precisou passar por uma série de intervenções cirúrgicas, de modo que não pôde dar prosseguimento normal à campanha Bolsonaro não participou dos debates entre os candidatos e despontou na liderança das pesquisas de intenção de voto.
Nas urnas, foi o mais votado no pleito presidencial, com 49,2 milhões de votos, correspondentes a 46% dos votos válidos, e ajudou a eleger diversos parlamentares e governadores que o apoiaram em campanha, a despeito da ínfima estrutura partidária e escasso tempo de propaganda eleitoral. O PSL elegeu 52 deputados, entre os quais um dos filhos de Jair, Eduardo Bolsonaro, e passou à condição de segunda maior bancada na Câmara, ao passo que para o Senado Federal elegeu quatro representantes, sendo um deles o primogênito de Jair, Flávio Bolsonaro.
Liderou as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno das eleições presidenciais, à frente de Fernando Haddad, do PT, que disputava a preferência do eleitorado. Diversos foram os partidos que optaram pela neutralidade, mas a maioria dos representantes eleitos declararam apoio ao ex-capitão. Em 28 de outubro de 2018, o segundo turno foi realizado e Bolsonaro foi eleito presidente da República, com 57,8 milhões de votos (55% dos votos válidos).
Na condição de presidente eleito, iniciou as tratativas para composição de seu quadro ministerial, o qual, conforme havia sinalizado durante a campanha, viria a ser reduzido a 22 pastas. Defendeu, na ocasião, critérios de nomeação técnicos e os quais entendia como não ideológicos, indicando oito militares para a chefia de ministérios. Os indicados de maior repercussão foram o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e Sergio Moro, então nomeado Ministro da Justiça e Segurança Pública, após ter atuado como juiz nas investigações da Operação Lava Jato e por fim abdicado das funções no Poder Judiciário para ocupar o cargo no Executivo. Repercutiu também, não apenas quando da nomeação, o fato de que Moro havia sido o juiz responsável pela decretação da prisão do ex-presidente Lula, que concorreria naquelas eleições caso habilitado estivesse.
Na presidência da República
Empossado Presidente da República em 1o de janeiro de 2019, defendeu ampla agenda de reformas, assumiu compromissos com o combate à criminalidade e à ideologia de gênero, além de defender o formato tradicional de família. Sob o mote "Mais Brasil e menos Brasília", se comprometeu a desconcentrar poder e aproximar a política do âmbito local e popular. Também resgatou pautas que lhe eram caras desde seu passado parlamentar, encampando, como presidente do país, o porte de armas e o excludente de ilicitude. Acenou ao setor agropecuário e defendeu o liberalismo econômico, confiando ao ministro Paulo Guedes a execução de ideias e reformas ligadas a isso.
A produção legislativa do começo do mandato correspondeu à agenda promovida na campanha. Apesar de a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Reforma da Previdência ter concentrado as atenções da imprensa, os seis primeiros meses de governo viram uma média de 1,3 decretos editados por dia, como consequência da dificuldade em articular uma base de apoio ao governo no Congresso. Destacam-se o decreto n. 9.685, que flexibilizou a posse de armas; a MP n. 881, que instituiu a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica; o projeto –de lei anticrime; a retirada de radares das estradas e as alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), todos em 2019.
A reforma da previdência do governo Bolsonaro foi entregue pessoalmente pelo presidente da República aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado no dia 20 de fevereiro de 2019. Entrou em vigor com a publicação da Emenda Constitucional n. 103 no Diário Oficial da União em 13 de novembro do mesmo ano.
Seu partido rachou em outubro de 2019, quando Bolsonaro orientou um apoiador a esquecer o partido e alegou que o presidente nacional da legenda, Luciano Bivar, estava “queimado”. A ruptura foi anunciada oficialmente em 12 de novembro de 2019 e Bolsonaro declarou a intenção de criar um novo partido chamado Aliança pelo Brasil.
O início de 2020 foi marcado por uma preocupação mundial sobre o novo coronavírus primeiramente identificado na cidade de Wuhan na China. Já em fevereiro o primeiro caso foi identificado no Brasil e, no mês seguinte a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia mundial e a primeira morte em decorrência do vírus foi confirmada no Brasil. As primeiras medidas tomadas pelo presidente Bolsonaro foram decisivas para condução da pandemia no país. Em pronunciamento no rádio e televisão no dia 24 de março, no caminho oposto ao recomendado pela OMS, o presidente declarou que a rotina do país deveria retornar à normalidade. Durante o discurso, acusou a imprensa de espalhar pânico na população, criticou duramente a ação dos governadores que declararam quarentena e o fechamento de escolas e comércios, e minimizou a gravidade da pandemia, descrevendo-a como uma “gripezinha”. Ao contrário do presidente, o então ministro da Saúde LuizHenrique Mandetta era um defensor das medidas de isolamento social e das orientações dadas pela OMS. O protagonismo do ministro no combate à pandemia e a falta de entendimento entre o Ministério da Saúde e o presidente principalmente sobre o uso do medicamento hidroxicloroquina como tratamento, levaram à troca de ministro em abril.
O governo então nomeou o médico oncologista Nelson Teich para o Ministério da Saúde, que permaneceu no cargo por menos de um mês. Seguindo a mesma linha de seu antecessor, Teich defendia as medidas de isolamento social e a declaração de lockdown, mas a pressão do executivo para mudar o protocolo de tratamento levou a outra mudança de comando. O terceiro ministro da Saúde do governo Bolsonaro foi o general Eduardo Pazuello, que seguiu à risca as orientações do presidente com relação à crise sanitária.
Sob seu comando, o Ministério da Saúde adotou o “kit covid”, de eficácia ainda não comprovada, como protocolo de tratamento para casos leves e moderados de Covid- 19. Enquanto o país alcançava recordes de casos e mortes, o Ministério da Saúde apresentou problemas logísticos com a divulgação sobre os dados da pandemia, na apresentação de calendário vacinal, aquisição de testes, medicamentos e equipamentos médicos e negociação na compra das vacinas. Na mesma época foram divulgadas as tentativas de contato da empresa farmacêutica Pfizer para a negociação de doses sem reposta do governo federal. Jair Bolsonaro seguiu defendendo o ‘Kit Covid’, criticando as medidas de isolamento social e a vacina Coronavac. O presidente imitou uma pessoa com falta de ar em uma de suas lives semanais, fato que voltou à tona em sua campanha à reeleição.
O desgaste de Pazuello no ministério, bem como denúncias de corrupção em governos estaduais, ocasionaram a abertura da CPI da Covid. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid foi aberta pelo senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) para investigar as denúncias de má condução e omissão do governo federal após a crise de oxigênio no Estado do Amazonas. O foco da CPI foi investigar as alegações de que o governo federal agiu contra as medidas sanitárias, atrasou a compra das vacinas e investiu em tratamentos considerados ineficazes. Durante a condução da CPI foram levantadas as hipóteses de corrupção no contrato de compras vacinas do consórcio Covaxin, a suspeita de um gabinete paralelo responsável por orientações fora das diretrizes da OMS, como a adoção da estratégia de imunidade de rebanho.
Após meses de inquérito, o relatório da CPI apresentado por Renan Calheiros (MDB-AL) concluiu que houve omissão do Governo Federal. O relatório seguiu para análise do Ministério Público Federal, Procuradoria Geral da República (PGR) e ao Congresso Federal.
Outro aspecto importante da gestão da pandemia de Covid-19 foi a discussão e a implementação do Auxílio Brasil, um programa de renda mínima criado para instaurar medidas de proteção social e amortizar problemas econômicos trazidos pela pandemia. O Ministério da Economia propôs inicialmente uma renda de R$ 2000 para trabalhadores informais ou autônomos já cadastrados no Cadastro Único que não recebessem nenhum outro tipo de auxílio por um período de três meses. No Congresso Nacional, deputados e senadores apresentaram propostas que variavam em valor e perfil de beneficiário. Diante da pressão de parlamentares, organizações e movimentos da sociedade civil, o governo federal sancionou a Lei n. 13.982, de 2 de abril de 2020, que propôs a Renda Básica Emergencial no valor de R$ 600 ou R$1.200 para mães-solo em condição de trabalho informal ou microempreendedora individual. Tanto o Ministro Paulo Guedes quanto Jair Bolsonaro se manifestaram contra o programa, criticando os valores, duração e a necessidade das medidas de isolamento social. Apesar disso, o governo federal promoveu novas rodadas do benefício através da edição da Medida Provisória n. 1.000/2020, com novos critérios de elegibilidade e valores. Em 2021, após quatro meses sem o benefício, o governo federal renovou o Auxílio Emergencial através da Emenda Constitucional n. 109/2021.
Ainda em meio à gestão da pandemia, em abril de 2020 o governo Bolsonaro enfrentou uma nova crise quando o então Ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro deixou a pasta após o presidente exonerar o diretor geral da Polícia Federal, Marcelo Valeixo, que havia sido indicado pessoalmente pelo ministro. Em pronunciamento, Moro explicou que não considerava haver critérios técnicos que justificassem a exoneração de Valeixo. O ministro se opunha à troca desde que fosse justificada e em seguida declarou que o mandatário trocou o comando da Polícia Federal para ter acesso às investigações e a relatórios do órgão em uma clara tentativa de intervenção política. No mesmo depoimento, o ex-ministro relatou que este fato poderia ser comprovado em uma reunião ministerial gravada naquele mesmo mês, cujo conteúdo foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal em maio
Convocada pelo Ministro da Casa Civil Braga Netto para discutir o programa Pró-Brasil, relacionado à recuperação da economia na pandemia, o encontro ministerial teve a presença do presidente Jair Bolsonaro, seu vice Hamilton Mourão e outras 25 autoridades.
Na reunião, Bolsonaro reclamou da pressão que vinha sofrendo diante da condução da pandemia e da falta de acesso às informações de investigações da Polícia Federal, Inteligência das Forças Armadas e Abin. Sugeriu que deveria ter um sistema próprio para obter informações e proteger a sua família. O presidente ainda criticou opositores políticos como o então governador de São Paulo, João Dória e o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.
O ministro da economia Paulo Guedes sugeriu que o Brasil deveria mandar um milhão de jovens para quartéis a 300 reais mensais. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que iria pedir a prisão de governadores e prefeitos, no que foi apoiada pelo ministro da Educação Abraham Weintraub, que pediu a prisão de ministros do STF. Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, sugeriu mudar normas ambientais enquanto as atenções estavam voltadas à pandemia da Covid-19.
No campo ambiental, o governo Bolsonaro esteve no centro das atenções internacionais. Para o comando da pasta foi nomeado Ricardo Salles, ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo. Antes mesmo de assumir o cargo, o presidente já apresentou uma mudança drástica no discurso ambiental brasileiro, pedindo ao então presidente Michel Temer que cancelasse a COP 25, a Conferência do Clima das Nações Unidas que aconteceria no país em 2019. Os primeiros anos de governo e gestão Salles foram marcados pelo desmonte socioambiental através do enfraquecimento dos órgãos de fiscalização ambiental, fato agravado pela exoneração do diretor do INPE, Ricardo Galvão, e pelo crescimento recorde de queimadas e áreas de desmatamento na Amazônia e em terras de proteção indígena. O avanço dos desmatamentos na Amazônia gerou ainda em 2019 preocupação e pressão por parte de líderes mundiais. Em resposta, Bolsonaro afirmou que as críticas ambientais não eram justas, acusou os EUA de cobiçar a Amazônia e negou que o desmatamento tenha aumentado. Além da Amazônia, o incêndio que destruiu 26% do Pantanal sul mato grossense atraiu ainda mais os olhares internacionais para o país. A crise na gestão ambiental se agravou em 2021 quando o então Ministro Ricardo Salles renunciou ao cargo em junho, após se tornar alvo de duas investigações da Polícia Federal de exportação de madeira ilegal e por suposta obstrução nas investigações. Salles foi substituído por Joaquim Leite.
No fim de 2021, após dois anos sem partido, anunciou a sua filiação ao Partido Liberal (PL).
Às vésperas de lançar a candidatura à reeleição, o Congresso Nacional aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda Constituição conhecida como “PEC Kamikaze”. A medida permitiu ao governo driblar a lei eleitoral que proíbe a criação de novos benefícios perto das eleições, a partir da determinação de um Estado de Emergência Nacional. A partir da aprovação da PEC foi criado um pacote de benefícios que aumentou o valor limite do Auxílio Brasil de R$400 para R$ 600, criou benefícios para caminhoneiros e taxistas e aumentou o repasse do Vale-Gás. A proposta recebeu esse nome diante da preocupação do Ministro da Economia Paulo Guedes que a considerou perigosa para as contas públicas. A PEC foi fruto de um acerto entre o governo federal e representantes do centrão.
Poucos dias depois, lançou sua candidatura à reeleição em um evento no Rio de Janeiro e confirmou o general Walter Braga Netto como vice de sua chapa. O discurso foi marcado pelo tom religioso da esposa do candidato, Michele Bolsonaro, ataques ao STF e elogios ao deputado federal Arthur Lira.
Para a disputa presidencial, lançou a coligação “Pelo Bem do Brasil” composta pelo PL, PP e Republicanos.
No primeiro turno, obteve 48,4% votos contra 43,2% de Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro foi derrotado no segundo turno por 50,9% de Lula contra 49,1%.
Foi casado com Rogéria Nantes Nunes Braga Bolsonaro, vereadora no Rio de Janeiro entre 1993 e 2001, com quem teve três filhos, Flávio, Carlos e Eduardo. Os três também seguiram pela política, tendo os dois primeiros exercido mandatos pelo Rio de Janeiro, enquanto Eduardo Bolsonaro viria a ser eleito por São Paulo. Divorciou-se e algum tempo depois contraiu segundas núpcias com Ana Cristina Vale, com quem teve outro filho. Após nova separação, casou-se com Michele Bolsonaro em 2007, com quem teve sua primeira filha.